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A audição decorreu a pedido do grupo parlamentar do Chega, na sequência do anúncio da suspensão da distribuição de imprensa, ainda este mês, em oito distritos do interior. Segundo Marco Galinha, a VASP enfrenta resultados negativos recorrentes nessas regiões, que a empresa já não consegue suportar.
"A VASP está ao lado dos editores, mas não consegue continuar a absorver prejuízos no interior do país", afirmou, acrescentando que a empresa está preocupada com o impacto da decisão sobre as populações dessas zonas, apesar de considerar a operação economicamente inviável.
Também ouvido na comissão, o administrador Rui Moura sublinhou que a empresa tem mantido contactos regulares com os grupos parlamentares e que se reuniu, há cerca de dez dias, com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Segundo o responsável, os custos da distribuição têm sido absorvidos pela empresa, salientando que "desde 2019 a atividade no interior deixou de ser sustentável".
Marco Galinha criticou ainda aquilo que classificou como "insensibilidade" face à situação da distribuição de imprensa e defendeu que a VASP funciona como um "monopólio natural", uma vez que todos os concorrentes acabaram por falir. "Se surgir outra empresa, os custos duplicam e a operação torna-se ainda mais inviável", afirmou.
O gestor revelou igualmente que a VASP foi impedida de contactar diretamente o gabinete do atual ministro com a tutela da comunicação social, António Leitão Amaro, sem adiantar mais pormenores. Recordou, no entanto, ter recebido com satisfação o anúncio, em outubro de 2024, do Plano de Ação para a Comunicação Social (PACS), que considerou fundamental para facilitar o acesso da população à imprensa.
Marco Galinha referiu que manteve várias reuniões com membros do anterior Governo, incluindo o então ministro Pedro Duarte, que terá anunciado o lançamento de um concurso para a distribuição de imprensa num prazo de sete semanas. Acrescentou que o secretário de Estado Abreu Amorim demonstrou preocupação com o processo e deixou o trabalho preparado, mas lamentou que a queda do Governo tenha interrompido o avanço do projeto. "Aconteceu o que é típico em Portugal, o Governo caiu e as coisas voltaram à estaca zero", disse.
Entre os fatores que estão a pressionar o negócio, Marco Galinha apontou o aumento do salário mínimo, que representa um impacto anual de cerca de um milhão de euros para a VASP, e o encerramento do grupo Trust in News.
Respondendo aos deputados, Rui Moura frisou que "a distribuição de imprensa não é venda de pão", destacando a complexidade logística do setor. Já Marco Galinha sublinhou que a distribuição de jornais atravessa um processo de transformação estrutural, alertando que a inteligência artificial, por si só, não resolve os problemas do setor.
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