Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A missão SpX-33 foi coordenada por Rui Curado Silva, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e por Jorge Maia, da Universidade da Beira Interior, ambos investigadores do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas em Coimbra.
Durante aproximadamente um ano, amostras de sensores de telureto de cádmio e zinco (CZT), destinados a futuros telescópios de raios gama, estiveram expostas ao ambiente espacial na plataforma Bartolomeo da Estação Espacial Internacional. Estes materiais foram sujeitos a radiação orbital, oxidação e amplitudes térmicas extremas, com temperaturas que oscilaram entre cerca de -150 °C no lado noturno da órbita e valores próximos dos 120 °C quando expostos ao Sol.
Segundo Rui Curado Silva, a missão pretende colmatar uma lacuna científica relevante. “Quando em operação no espaço, estes sensores degradam-se e perdem sensibilidade observacional. Até agora, a relação entre o tempo de exposição ao ambiente espacial e a degradação das suas prestações nunca tinha sido estudada com a profundidade necessária”, explicou.
Jorge Maia sublinha que a investigação é crucial para a astrofísica de altas energias. "Para observar o Universo nas bandas dos raios X e dos raios gama é indispensável colocar telescópios no espaço, uma vez que a atmosfera terrestre absorve este tipo de radiação", afirmou.
Os sensores regressados serão enviados para Coimbra dentro de cerca de dois meses, onde serão comparados com amostras idênticas que permaneceram na Terra. O objetivo é avaliar o nível de degradação operacional e validar a viabilidade da sua integração em futuros telescópios espaciais, bem como contribuir para o desenvolvimento de sensores mais robustos.
Além da Universidade de Coimbra, a experiência GLOSS envolve equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma. O projeto foi financiado pelo programa PRODEX da Agência Espacial Europeia e pela Agência Espacial Portuguesa.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários