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A ideia de que problemas dentários podem prejudicar a alimentação não é um mito, é uma realidade com impacto na saúde. Quem o garante é Pedro Ferreira Lopes, médico dentista da Prime Dental Clinic, que alerta para a relação direta entre saúde oral e nutrição.

“Os problemas dentários têm um impacto relevante na alimentação”, explica ao 24notícias. Situações como dor de dentes, sensibilidade, ausência dentária ou próteses mal-adaptadas dificultam a mastigação e tornam o ato de comer desconfortável. Perante estas limitações, muitos doentes acabam por adaptar a sua dieta, nem sempre da melhor forma.

Alimentos mais duros ou fibrosos, como maçãs, cenouras cruas ou carnes mais rijas tendem a ser evitados. Em alternativa, há uma maior procura por opções mais fáceis de mastigar, como purés, sopas, massas, arroz ou alimentos processados. “Estas escolhas nem sempre garantem o mesmo valor nutricional”, sublinha o especialista, alertando para o risco de uma alimentação menos equilibrada e eventuais carências nutricionais.

De acordo com um estudo feito pela Universidade da Carolina do Norte, uma má saúde oral contribui para a desnutrição nos idosos. A prevalência global de desnutrição na população em estudo foi de 12%. Dos fatores de risco estudados considerou-se que a saúde oral teria o maior impacto sobre a subnutrição. Mais de 50% dos pacientes do estudo tiveram problemas dentários, e esses pacientes foram três vezes mais propensos a sofrer de subnutrição.

Apesar dos avanços nas últimas décadas, os problemas dentários continuam a ser frequentes em Portugal. Entre crianças e jovens, as cáries são a principal preocupação. Nos adultos, predominam as doenças gengivais, enquanto nos idosos é mais comum a perda total ou parcial de dentes.

De acordo com Pedro Ferreira Lopes, o acesso irregular a cuidados dentários continua a ser um dos principais fatores por trás destes números.

Para contrariar este cenário, o médico dentista defende uma aposta clara na prevenção e na literacia em saúde oral. “Medidas simples, acessíveis e eficazes podem reduzir significativamente a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro”, afirma.

Entre os cuidados essenciais, destaca-se o escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia com pasta fluoretada; usar fio dentário diariamente; evitar o consumo excessivo de açúcar; limpar a língua e realizar consultas regulares no dentista, idealmente de seis em seis meses.

“Uma boa higiene oral ajuda a prevenir cáries, gengivite e mau hálito, contribuindo para uma melhor qualidade de vida”, reforça.

Medicamentos também podem influenciar

O especialista chama ainda a atenção para alguns efeitos indiretos de medicamentos como o Ozempic, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2 e na perda de peso. Entre os possíveis impactos na saúde oral estão a boca seca, alterações do apetite, náuseas e vómitos, que podem afetar o esmalte dentário, e até mau hálito.

Embora estes efeitos não sejam universais, recomenda-se uma boa hidratação, manutenção de hábitos de higiene oral e comunicação com o médico dentista.

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