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Apenas um em cada quatro palestinianos detidos por Israel desde o início da guerra em Gaza é classificado como combatente pelas próprias forças de inteligência militar israelitas, diz o The Guardian. Os restantes correspondem, em grande medida, a civis detidos sem acusação ou julgamento, numa prática que tem sido amplamente criticada por organizações de direitos humanos.

De acordo com dados confidenciais a que o jornal britânico teve acesso, em maio deste ano encontravam-se detidas seis mil pessoas oriundas de Gaza. Destas, apenas 1.450 estavam registadas numa base de dados militar que identifica combatentes do Hamas e da Jihad Islâmica Palestiniana.

Este registo é considerado pela hierarquia militar israelita como a fonte de informação mais fiável sobre forças inimigas, compilado através de ficheiros apreendidos ao Hamas e de informações de inteligência atualizadas regularmente.

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Quanto aos detidos, existem alguns casos considerados mais chocantes: contam-se o de Fahamiya al-Khalidi, uma mulher de 82 anos com Alzheimer, detida durante seis semanas, e o de uma mãe solteira separada dos seus filhos durante 53 dias, que reencontrou a mendigarem nas ruas após a sua libertação. Há também relatos de profissionais de saúde, professores, funcionários públicos e até crianças mantidos em prisões militares israelitas.

A legislação israelita sobre "combatentes ilegais" permite a detenção indefinida sem necessidade de apresentar provas em tribunal aberto. Podem passar até 180 dias sem que o detido tenha acesso a um advogado, e 75 dias sem ser presente a um juiz. Desde 7 de outubro de 2023 não há registo de julgamentos de pessoas detidas em Gaza.

Embora as Forças de Defesa de Israel afirmem que a maioria dos detidos está "envolvida em atividades terroristas" e que existe um processo de revisão das detenções, dados oficiais indicam que mais de 2.000 pessoas já foram libertadas por não terem qualquer ligação a grupos armados. Ainda assim, políticos e militares israelitas continuam a referir-se a todos os detidos como "terroristas".