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A iniciativa, subscrita pela ANADIAL — Associação Nacional de Centros de Diálise e por vários cidadãos, defende que a criação desta data pretende colocar a Doença Renal Crónica (DRC) no centro do debate público, reforçando a sensibilização, a prevenção e a literacia em saúde. A petição pode ser assinada aqui.

Segundo os peticionários, a DRC é uma doença “silenciosa”, que pode evoluir durante anos sem sintomas evidentes, sendo muitas vezes diagnosticada apenas em fases avançadas, quando os doentes já dependem de diálise ou de transplante. Em Portugal, cerca de um milhão de pessoas — aproximadamente 10% da população adulta — vive com esta patologia, de acordo com dados do Atlas da Doença Renal Crónica em Portugal, da Sociedade Portuguesa de Nefrologia.

A petição destaca ainda que o país apresenta uma das mais elevadas prevalências de doentes em terapêutica substitutiva da função renal na Europa, sendo a hemodiálise a modalidade predominante. No final de 2023, estavam em hemodiálise 13.976 pessoas, mais 1,6% do que no ano anterior, com uma idade média de 68,5 anos. A diabetes é apontada como a principal causa da doença, representando 32,5% dos casos.

Apesar da dimensão do problema, os subscritores alertam para o desconhecimento generalizado da população. Um estudo nacional promovido pela ANADIAL indica que mais de 30% dos portugueses desconhecem a possibilidade de prevenção da doença, enquanto apenas 24,4% identificam a hipertensão como fator de risco e 27,7% associam a obesidade à DRC.

Atualmente, cerca de 14 mil pessoas em Portugal dependem de hemodiálise, um tratamento que implica, na maioria dos casos, três sessões semanais de cerca de quatro horas. A petição sublinha que se trata de um procedimento contínuo e inadiável, cuja interrupção representa um risco para a vida dos doentes.

Os peticionários defendem que a doença não é inevitável, salientando que o diagnóstico precoce, através de análises simples, pode atrasar significativamente a sua progressão. No entanto, a maioria dos casos continua a ser identificada em fases tardias.

A nível global, estimativas da Sociedade Internacional de Nefrologia apontam para 850 milhões de pessoas com DRC, sendo esta uma das principais causas de morte entre doenças não transmissíveis, tendência que poderá agravar-se com o envelhecimento da população e o aumento da diabetes e da obesidade.

Neste contexto, os subscritores consideram que a criação de um Dia Nacional da Diálise é uma “necessidade urgente”, não apenas simbólica, mas como instrumento de mobilização para políticas públicas de prevenção e melhoria das condições de tratamento.

A escolha de 23 de setembro, explicam, situa-se entre o Dia Mundial da Segurança do Doente e o Dia Mundial do Coração, reforçando a ligação da DRC às grandes áreas da saúde pública.

A petição solicita à Assembleia da República que institua oficialmente a data, através de iniciativa legislativa ou resolução, e que a reconheça como um momento anual de sensibilização, prevenção e promoção de melhores condições de acesso e qualidade na diálise em Portugal.

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