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Trump tem reclamado para si o título de fazedor da paz, em campanha prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em 48 horas, depois da trégua entre Israel e Gaza disse "adorar acabar com guerras" e mais recentemente ficou tão irritado por não ter recebido o Nobel da Paz que escreveu a várias embaixadas europeias em Washington a dizer que não lhe restava outra hipótese que não tomar a Gronelândia, em retaliação.
Hoje, em Davos, no Fórum Económico Mundial, lançou o Board of Peace (Bop) (Conselho da Paz), uma ONU à sua imagem e semelhança cujo objetivo declarado é promover a paz e resolver conflitos internacionais, começando pela reconstrução da Faixa de Gaza, devastada após dois anos de guerra com Israel.
Trump será, claro, presidente do BoP de forma indefinida, apoiado por um Conselho Executivo que inclui Jared Kushner (seu genro), Marco Rubio, Steve Witkoff e Tony Blair.
Sem regras nem molduras para o cargo de presidente do BoP, nada impede que Trump ocupe o cargo até ao fim da vida deixando em aberto a questão de quem e como lhe sucederá. A regra para se conseguir um lugar permanente é mais fácil de entender, mas deixa o mesmo número de questões éticas: custa mil milhões de dólares deixando uma linha muito ténue entre financiamento e corrupção.
Putin, por exemplo, mostrou disponibilidade para participar, usando ativos russos congelados nos EUA para pagar mil milhões de dólares por um assento permanente, por mais irónico que seja ter Putin em mais um conselho com o objetivo de promover a paz.
Ao presidente russo junta-se para já a Bielorrúsia, claro, países do Médio Oriente, Ásia e América do Sul, incluindo: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Qatar, Bahrein, Paquistão, Turquia, Hungria, Marrocos, Kosovo, Arménia, Argentina, Paraguai, Cazaquistão, Mongólia, Uzbequistão, Indonésia e Vietname. Israel está representado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, embora sem presença oficial na cerimónia. A lista completa pode ser consultada no fim do texto.
A sombra à ONU mantém-se a pairar e o medo da relação entre as duas instituições foi o que fez alguns países recusarem o convite. Itália recusou participar na cerimónia de assinatura do Board of Peace devido a possíveis problemas constitucionais com a adesão. A Irlanda, por seu lado, manteve-se cautelosa, avaliando cuidadosamente a sua participação sem anunciar uma decisão final. A Ucrânia também expressou reservas, com o presidente Volodymyr Zelensky a afirmar que seria inviável integrar-se num órgão que inclui a Rússia, considerada inimiga, tornando impossível “estar com a Rússia num conselho”. Também o Reino Unido recusa a participar devido à possível inclusão de Putin.
A China, embora convidada, manifestou dúvidas sobre o BoP substituir a ONU e enfatizou o multilateralismo centrado nas Nações Unidas. Questionou ainda se o BoP é “verdadeiramente para a paz”, um “clube privado” ou uma entidade corporativa com custos elevados.
Embora Trump afirme que o BoP pode ser “um dos órgãos mais influentes alguma vez criados” e que trabalhará em conjunto com a ONU, o sucesso do BoP dependerá dos resultados concretos. E para resultados concretos, faltam meios concretos. Por um lado, o Board of Peace diz pretender atuar globalmente em conflitos, mas não existem detalhes claros sobre os seus poderes, limites ou mecanismos de decisão.
Se a ordem mundial parece estar periclitante desde o início do segundo mandato de Trump, os medos aumentam perante a criação do BoP. E, por isso, diplomatas franceses, noruegueses e ingleses expressaram preocupações sobre a legitimidade do BoP e o seu impacto na ordem internacional baseada em regras.
Membros participantes confirmados na cerimónia de assinatura:
Argentina – Presidente Javier Milei
Arménia – Primeiro-Ministro Nikol Pashinyan
Azerbaijão – Presidente Ilham Aliyev
Bahrein – Sheik Isa bin Salman Al Khalifa
Bulgária – Primeiro-Ministro Rosen Zhelyazkov
Hungria – Primeiro-Ministro Viktor Orbán
Indonésia – Presidente Prabowo Subianto
Jordânia – Vice-Primeiro-Ministro Ayman Safadi
Cazaquistão – Presidente Kassym-Jomart Tokayev
Kosovo – Presidente Vjosa Osmani
Mongólia – Primeiro-Ministro Gombojavyn Zandanshatar
Marrocos – Ministro dos Negócios Estrangeiros Nasser Bourita
Paquistão – Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif
Paraguai – Presidente Santiago Peña
Qatar – Primeiro-Ministro Sheikh Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani
Arábia Saudita – Ministro dos Negócios Estrangeiros Faisal bin Farhan Al-Saud
Turquia – Ministro dos Negócios Estrangeiros Hakan Fidan
Emirados Árabes Unidos – Chairman da Executive Affairs Authority Khaldoon Al Mubarak
Uzbequistão – Presidente Shavkat Mirziyoyev
Aceitou o convite, mas não esteve na cerimónia:
Israel – Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu
Belarrússia – Presidente Alexander Lukashenko
Vietname – Governo
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