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A União Europeia (UE) continua sem consenso sobre a imposição de sanções a Israel, apesar das críticas crescentes à situação humanitária em Gaza e à violência contra palestinianos na Cisjordânia. A divisão entre os Estados-membros impede, para já, qualquer decisão concreta, incluindo a suspensão parcial do acordo de associação entre Bruxelas e Telavive.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, confirmou que a proposta para suspender parcialmente o acordo “continua em cima da mesa”, mas admitiu que ainda não existe apoio suficiente. “Não vimos isso hoje, mas estas discussões vão continuar”, afirmou após uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.
Apesar das críticas internas, Kaja Kallas rejeitou acusações de duplo critério na abordagem europeia e questionou a eficácia de eventuais sanções. “A suspensão do acordo vai travar a expansão (dos colonatos) na Cisjordânia? Provavelmente não”, disse.
A proposta de suspensão parcial foi inicialmente avançada no outono passado, mas nunca reuniu maioria. Na reunião desta semana, Irlanda, Espanha e Eslovénia voltaram a pressionar Bruxelas para retomar a iniciativa, denunciando as “condições insuportáveis” em Gaza, com violações do cessar-fogo e entrada insuficiente de ajuda humanitária, bem como o aumento da violência na Cisjordânia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, foi direto: “Enquanto Israel continuar nesse caminho de guerra permanente, não poderemos manter as relações da mesma forma.” Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem defendido publicamente o fim do acordo com Israel.
Também a Bélgica se mostrou favorável a medidas mais duras. O chefe da diplomacia belga, Maxime Prévot, considerou que é necessário “levantar a voz” face a níveis “sem precedentes” de violência por parte de colonos israelitas e alertou para violações dos princípios fundamentais que regem o acordo com a UE.
No entanto, países como a Alemanha mantêm uma posição contrária. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, defendeu que o diálogo com Israel deve continuar: “Temos de falar sobre as questões críticas num diálogo construtivo.”
A falta de unanimidade é decisiva, a suspensão total do acordo exige o apoio dos 27 Estados-membros, enquanto uma suspensão parcial requer uma maioria qualificada, cenário que, ainda assim, implicaria mudanças de posição de países-chave como Alemanha ou Itália.
Fora das instituições, a pressão para agir está a aumentar. A Amnistia Internacional acusou a UE de “falha moral” e de demonstrar “desprezo flagrante pela vida de civis”. A organização integra um grupo de mais de 70 entidades que exigem a suspensão do acordo, juntando-se a mais de um milhão de cidadãos e centenas de diplomatas europeus que fizeram o mesmo apelo.
Paralelamente, países como França e Suécia defendem medidas alternativas, como tarifas sobre produtos provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia e restrições às exportações para esses territórios.
A tensão estende-se também à esfera diplomática. O governo israelita reagiu com críticas às posições europeias, acusando líderes como Pedro Sánchez de “hipocrisia” e “duplo critério”.
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