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O centro pretende reunir especialistas de toda a União Europeia e de países candidatos à adesão, com o objetivo de coordenar a resposta europeia a campanhas de interferência estrangeira.

A proposta é o elemento central do chamado “escudo da democracia”, anunciado pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, quando se apresentou para um segundo mandato antes das eleições europeias de 2024.

Num rascunho do plano, que deverá ser apresentado oficialmente em 12 de novembro, a Comissão sublinha a crescente ameaça russa: “Além da sua brutal guerra de agressão contra a Ucrânia, a Rússia está também a intensificar os ataques híbridos, travando uma batalha de influência contra a Europa. Ao espalhar narrativas enganosas, incluindo a manipulação e falsificação de factos históricos, tenta corroer a confiança nos sistemas democráticos”, lê-se no documento.

Campanhas falsas e manipulação online

O Serviço Europeu de Ação Externa afirma ter identificado dezenas de operações russas de manipulação de informação, incluindo a campanha conhecida como Doppelganger, ativa desde 2022.

Durante o período que antecedeu as eleições europeias, a operação criou versões falsas de sites de órgãos de comunicação como o Die Welt, Le Point, La Stampa e Polskie Radio, publicando artigos fabricados com o objetivo de divulgar narrativas antiocidentais e minar o apoio europeu à Ucrânia.

A Rússia, refere o documento, procura desacreditar políticos e semear desconfiança nas instituições democráticas europeias, muitas vezes através de redes sociais e plataformas de notícias falsas.

A China também é apontada como uma fonte crescente de desinformação.

De acordo com o serviço diplomático da UE, Pequim tem recorrido a empresas de relações públicas e influenciadores digitais para “criar, amplificar e branquear conteúdos alinhados com os interesses políticos da China em todo o mundo”.

Uma investigação do Citizen Lab, publicada em 2024, revelou 123 sites com origem na China que se faziam passar por meios de comunicação em 30 países da Europa, Ásia e América Latina, com o intuito de difundir desinformação pró-Pequim.

Eleições sob interferência estrangeira

A gravidade da ameaça ficou evidente quando a Roménia se tornou o primeiro Estado-membro da UE a anular uma eleição após informações desclassificadas revelarem uma campanha russa de interferência.

O relatório descreve ataques cibernéticos maciços ao sistema eleitoral e manipulação das redes sociais para favorecer um candidato ultranacionalista.

Também a Moldova, país candidato à adesão, denunciou esquemas de compra de votos e campanhas de propaganda pró-Rússia durante as suas mais recentes eleições.

Rede europeia de verificação e resposta

O futuro Centro para a Resiliência Democrática funcionará como um hub de partilha de informação e de alertas precoces entre as instituições e os Estados-membros da União, e procurará aumentar a consciência pública sobre tentativas de manipulação estrangeira.

A adesão ao centro será voluntária, tanto para os países da UE como para os candidatos, e o documento sugere que também poderá incluir “parceiros com ideias semelhantes”, o que abre a porta à participação do Reino Unido.

Outros elementos do “escudo da democracia” incluem a criação de uma rede independente de verificadores de factos para proteger os cidadãos durante eleições, crises de saúde pública ou desastres naturais, bem como uma rede de influenciadores digitais encarregados de promover as normas democráticas e digitais da União.

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