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A guerra na Ucrânia entrou no seu quinto ano desde a invasão russa em larga escala e continua marcada pela continuidade dos ataques e por uma crescente utilização de drones de longo alcance. Enquanto a Rússia continua a atingir cidades e infraestruturas ucranianas, Kiev tem intensificado os ataques com drones contra alvos em território russo.

Apesar das tentativas de encontrar uma solução diplomática, o conflito permanece sem um acordo de cessar-fogo. As negociações continuam condicionadas pelas divergências entre Moscovo e Kiev, nomeadamente em torno do território e das garantias de segurança para a Ucrânia.

Quais os últimos desenvolvimentos no palco de operações?

Zelensky fala em tiroteio "vergonhoso"

Volodymyr Zelensky classificou como “absolutamente vergonhoso” o tiroteio ocorrido em Kyiv entre o SBU, o serviço de segurança interna da Ucrânia, e o GUR, a estrutura equivalente das Forças Armadas responsável também por atividades militares e operações especiais. O confronto terá provocado ferimentos em três agentes.

Segundo relatos citados pelo The Guardian, o tiroteio terá tido origem na detenção, pelo SBU, de um dirigente de uma unidade russa anti-Kremlin que combate ao lado da Ucrânia sob supervisão do GUR.

Perante o episódio, Zelensky ordenou a intervenção de procuradores e investigadores e demitiu um alto responsável do SBU. “Na Ucrânia, só é permitido disparar contra ocupantes russos, na defesa da Ucrânia”, afirmou o presidente, acrescentando que o Estado não aceitará outros confrontos armados como algo permitido.

Mais drones

Entretanto, drones russos atingiram o centro de Kyiv na quarta-feira, no sétimo dia consecutivo de ataques intensos contra a capital. Foram novamente ouvidas explosões nas primeiras horas desta quinta-feira. Na quarta-feira, 11 pessoas ficaram feridas e foram danificados edifícios residenciais e universitários.

A Rússia atingiu também infraestruturas de energia na região de Odesa, no sul do país, com mísseis e drones, deixando mais de 350 mil habitações sem eletricidade, segundo as autoridades. Na cidade de Dnipro, no sudeste, dois pessoas morreram e oito ficaram feridas na sequência de ataques que danificaram armazéns de alimentos e edifícios educativos, indicou o governador regional.

Noruega apreende navio russo

A Noruega apreendeu entretanto um navio de cruzeiro russo devido ao não pagamento de uma indemnização relacionada com a anexação ilegal da Crimeia. Em abril de 2023, um tribunal em Haia determinou que a Rússia deveria pagar 4,22 mil milhões de dólares à Naftogaz, empresa estatal ucraniana de petróleo e gás, como compensação pelos seus ativos na Crimeia, apreendidos durante a invasão russa.

A Rússia recusou pagar a indemnização. A Naftogaz indicou que a apreensão do Professor Molchanov foi ordenada pelo tribunal distrital de Nord-Troms e Senja a 31 de agosto. O navio pertencia à Rússia e era utilizado em cruzeiros comerciais de expedição, incluindo viagens ao arquipélago norueguês de Svalbard.

Ucrânia pede proibição de voos no espaço aéreo russo

A Ucrânia pediu à Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) e aos seus Estados-membros que proíbam as companhias aéreas de utilizar o espaço aéreo russo.

O pedido surgiu um dia depois de Zelenskyy ter afirmado que o espaço aéreo da Rússia estava a tornar-se “completamente inseguro” devido à utilização de drones ucranianos.

A Ucrânia solicitou à ICAO uma “proibição total” das operações de aeronaves civis no espaço aéreo da Federação Russa. Em resposta, a organização apelou aos seus membros para garantirem a segurança das aeronaves civis, alertando que sistemas de armas de longo alcance, drones, interferências nas frequências dos sistemas globais de navegação por satélite e sistemas avançados de defesa aérea estão entre as tecnologias militares que representam riscos para a aviação civil.

Produção de mísseis Patriot pode demorar anos

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a Ucrânia poderá ter de esperar vários anos até começar a produzir localmente os interceptores de defesa aérea Patriot, pelo que essa solução não deverá responder às necessidades imediatas de Kiev.

“São armamentos altamente sofisticados”, afirmou Rubio à Fox News. Os Estados Unidos estão a negociar com a Ucrânia a produção licenciada de mísseis Patriot, mas o responsável norte-americano advertiu que essa possibilidade não resolverá o desafio de curto prazo.

Rubio acrescentou que existe uma procura mundial por mais interceptores de defesa aérea e que as necessidades dos Estados Unidos têm prioridade.

Zelensky anunciou, por outro lado, alterações ao sistema de alertas de ataques aéreos da Ucrânia. Os alertas deverão passar a ter dois níveis: vermelho para mísseis e amarelo para drones. Segundo o presidente, a mudança permitirá maior previsibilidade e uma melhor compreensão sobre como reagir.

O recolher obrigatório será também reduzido e serão disponibilizadas mais opções de transporte à superfície para compensar o encerramento do metro. As medidas respondem, segundo Zelensky, à alteração das táticas russas e ao uso de drones para desgastar a vida civil nas cidades e perturbar a atividade económica.

Bélgica mantém oposição ao uso de ativos russos congelados

A Bélgica continua a bloquear as tentativas da União Europeia de utilizar 200 mil milhões de euros em ativos russos congelados em benefício da Ucrânia.

A oposição belga levou os Estados-membros a concederem à Ucrânia um empréstimo de 90 mil milhões de euros suportado pelos próprios países. À medida que esse financiamento diminui, quatro países defenderam a reabertura do debate sobre os ativos russos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prevot, afirmou que a posição do Governo permanece inalterada, argumentando que utilizar os ativos através de um processo semelhante a uma confiscação envolve riscos significativos.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou, após uma reunião ministerial na Irlanda, que os novos fundos destinados à Ucrânia deveriam, em última análise, vir da Rússia. Segundo Kallas, é por esse motivo que alguns Estados-membros defendem o regresso ao debate sobre os ativos congelados.

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