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Um escândalo emergiu na Ucrânia com a notícia de que a polícia anti-corrupção estava a investigar a residência de Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky.

Numa breve declaração, Yermak confirmou que as buscas estavam a decorrer na sua casa. "Os investigadores não têm obstáculos. Tiveram acesso total ao apartamento, os meus advogados estão no local, a interagir com os agentes da lei. Da minha parte, tenho total cooperação".

A situação ameaçou não só a posição de Yermak, que entretanto se demitiu, como também poderá ter implicações significativas nas negociações de paz e na estabilidade política do país.

A importância de Yermak no sistema político ucraniano é inegável. O chefe de gabinete desempenha múltiplos papéis junto de Zelenskyy: é o seu principal conselheiro de confiança, o executor das políticas domésticas, o controlador do acesso ao presidente, o ponto de contacto com políticos estrangeiros e o negociador-chefe nas questões de paz. Fontes que conhecem o funcionamento do gabinete presidencial descrevem a relação entre Zelenskyy e Yermak como simbiótica, destacando a confiança e interdependência entre os dois, escreve o The Guardian.

Quem já lidou com Yermak, tanto dentro como fora da Ucrânia, descreve-o como um trabalhador incansável e um operador implacável. Ao longo do tempo, Yermak tem agido contra centros alternativos de influência política e tem procurado consolidar o seu poder de forma sistemática.

A sua ascensão e a sua influência tornaram-no uma figura central na política ucraniana, mas também lhe criaram inimigos. Entre a elite do país, poucos têm uma visão positiva de Yermak, embora muitos admirem o seu profissionalismo e a sua capacidade política. No estrangeiro, alguns líderes também manifestaram desagrado pelo seu trabalho — os EUA afirmaram mesmo preferir falar com outras pessoas, devido a dificuldades de comunicação.

O anúncio da demissão

A saída de Yermak, que liderava a última ronda das delicadas negociações de paz com os EUA, foi anunciada pelo presidente ucraniano num vídeo publicado nas redes sociais esta sexta-feira.

Zelensky elogiou Yermak, mas deixou claro que "não deve haver motivo para se distrair com nada além da defesa da Ucrânia", num momento em que Kiev dependia da manutenção do apoio dos EUA diante das exigências territoriais da Rússia.

"Agradeço a Andriy por representar sempre a posição da Ucrânia nas negociações exatamente como deveria ser. Sempre foi uma posição patriótica. Mas quero que não haja rumores ou especulações", adiantou.

O presidente ucraniano anunciou ainda que a busca por um sucessor vai começar no sábado e o gabinete da presidência, anteriormente liderado por Yermak, vai ser "reorganizado" como parte do processo.

Corrupção na área da energia

O escândalo que levou à demissão de Yermak surgiu pela primeira vez no início de novembro. A investigação gira em torno da empresa estatal de energia nuclear Energoatom e de alegados subornos/subcontratos irregulares. Relatórios sugerem que cerca de 100 milhões de dólares foram desviados.

Nas últimas semanas, dois ministros do governo — da Energia e da Justiça — já tinham sido afastados por suspeitas relacionadas com este caso.

Até agora, oito pessoas foram formalmente acusadas no âmbito da investigação ao esquema da Energoatom.

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