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Segundo o The Guardian, Trump afirmou que a Dinamarca não investe o suficiente para proteger a Gronelândia, território autónomo dinamarquês, considerando que a ilha tem um valor estratégico para os Estados Unidos devido à presença de navios chineses e russos na região. O presidente norte-americano reiterou que a Gronelândia "deveria ser controlada pelos Estados Unidos e não pela Dinamarca", sustentando que a recusa de Copenhaga prejudicou a relação entre Washington e a NATO.
Trump voltou ainda a sugerir que os Estados Unidos poderiam retirar todos os seus militares da Europa e disse que o continente "já não é o mesmo de há 20 anos". Acrescentou que os países europeus deveriam ter cuidado com as políticas de imigração e de energia, sob pena de colocarem em risco o futuro da Europa.
Durante a chegada à cimeira, Trump manifestou igualmente desagrado com a posição assumida por alguns aliados durante o conflito com o Irão. Em particular, criticou a decisão do então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de não participar diretamente na guerra, sugerindo que essa posição teria contribuído para a sua queda política.
O presidente norte-americano voltou também a acusar os membros da NATO de não investirem o suficiente na defesa e de dependerem excessivamente dos Estados Unidos. Questionou ainda o motivo para Washington continua a gastar centenas de milhares de milhões de dólares enquanto, na sua perspetiva, os aliados não demonstram o mesmo compromisso.
Segundo o jornal britânico, os países europeus procuram responder às críticas de Trump reforçando a cooperação na área da defesa. O Reino Unido deverá liderar um projeto europeu avaliado em 37 mil milhões de libras para desenvolver um míssil de longo alcance, em colaboração com países como França, Alemanha e os Estados bálticos. O objetivo é reduzir a dependência da NATO em relação às capacidades militares norte-americanas.
O novo sistema de armamento, descrito como o mais avançado da Aliança, deverá ser capaz de atingir alvos situados entre 200 e 1.200 milhas de distância com elevada precisão, permitindo alcançar posições militares muito para além da linha da frente na Ucrânia e até, potencialmente, Moscovo.
Dinamarca promete defesa do território
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reiterou esta quarta-feira que a Gronelândia "não está à venda" e afirmou esperar que todos os aliados respeitem o direito do povo gronelandês à autodeterminação.
Questionada sobre a eventualidade de ser necessário defender militarmente a Gronelândia, respondeu que a Dinamarca está preparada para defender "cada centímetro da NATO, incluindo o nosso território".
A chefe do Governo dinamarquês recordou que a Aliança Atlântica foi criada com o princípio de defesa coletiva previsto no artigo 5.º do Tratado da NATO, segundo o qual um ataque contra um aliado é considerado um ataque contra todos. Segundo Frederiksen, este princípio aplica-se ao flanco leste da Aliança, perante a guerra na Ucrânia, foi aplicado aos Estados Unidos após os ataques terroristas de 11 de setembro e será igualmente válido para a Gronelândia "se algo acontecer".
Questionada sobre o compromisso dos Estados Unidos com o artigo 5.º, respondeu que não ouviu qualquer indicação de que Washington tenha deixado de estar comprometido com esse princípio.
"Eu não seria capaz de assegurar o meu povo sem a NATO e acho que o mesmo serve para os EUA. É por causa da NATO que o nosso povo transatlântico pode estar em segurança e isso vai manter-se no futuro", afirmou.
Na sua intervenção, Frederiksen defendeu ainda a necessidade de uma NATO "mais forte", considerando que o mundo se tornou "mais inseguro". Entre as prioridades apontadas pela governante estão o reforço do rearmamento da Europa, uma base industrial mais forte na Europa e nos Estados Unidos e o aumento do apoio à Ucrânia.
"Todos sabemos que são tempos difíceis e, por isso, a nossa união neste mundo é mais importante do que nunca", afirmou.
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