Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

Donald Trump anunciou, na terça-feira à noite, a suspensão das tarifas de 50% sobre vários produtos provenientes do Canadá, que deveriam entrar em vigor à 00h01 de quarta-feira, hora de Washington. Segundo a CNN, a suspensão terá uma duração de três dias, até ao final do dia 21 de agosto.

“Parei as tarifas de 50% contra o Canadá, que estavam previstas para entrar em vigor amanhã de manhã, por um período de três dias, com base no facto de que o Canadá e os EUA, sujeitos à finalização dos documentos, têm um ACORDO!”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

O Presidente norte-americano fez também referência ao oleoduto Keystone XL, afirmando que este “poderá ser ressuscitado”, sem, no entanto, avançar com mais detalhes sobre o eventual projeto.

As tarifas propostas abrangiam produtos como lacticínios, bebidas alcoólicas e mobiliário, mas também equipamentos industriais, plásticos, vestuário e outros bens manufaturados. No total, representariam cerca de 5% do valor das importações norte-americanas provenientes do Canadá no ano passado, equivalentes a aproximadamente 20 mil milhões de dólares.

A suspensão acontece depois de vários dias de negociações entre os dois países. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e Donald Trump mantiveram conversações na segunda e na terça-feira, enquanto as equipas dos dois governos procuravam chegar a um entendimento sobre o conflito comercial.

Carney classificou anteriormente as negociações como “muito delicadas e intensas”. Numa declaração divulgada na terça-feira à noite, confirmou o adiamento das tarifas até ao final do dia 21 de agosto, considerando que foi feito “um progresso substancial”, embora ainda haja “trabalho importante por fazer”.

Uma ameaça comercial de grande alcance

Trump pretendia recorrer à Secção 338 de uma lei comercial norte-americana da década de 1930, uma legislação pouco utilizada e que nunca tinha sido aplicada desta forma para impor tarifas. A utilização desta lei era suscetível de enfrentar contestação judicial.

Ao contrário de outros instrumentos legais utilizados recentemente pela administração Trump, a Secção 338 não parece estabelecer um limite temporal para a aplicação das tarifas. Caso entrassem em vigor, os direitos aduaneiros poderiam manter-se indefinidamente, até serem retirados pelo próprio Trump ou por um futuro Presidente.

O plano norte-americano também abrangia produtos que não estavam diretamente relacionados com as queixas apresentadas por Trump. O Presidente tem acusado o Canadá de dificultar as exportações norte-americanas de produtos como lacticínios, automóveis e bebidas alcoólicas.

Outro aspeto relevante seria a ausência de isenções para produtos que cumprem as regras do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, sigla em inglês). Assim, mesmo mercadorias canadianas que normalmente beneficiariam de tratamento preferencial ao abrigo do acordo comercial poderiam ser abrangidas pelas novas tarifas.

Mark Carney já tinha classificado anteriormente as tarifas norte-americanas como uma “violação direta” do USMCA e alertado para o impacto da disputa comercial nos consumidores, nomeadamente através do aumento dos custos para as famílias norte-americanas.

Também a Câmara de Comércio dos Estados Unidos alertou para os riscos económicos de novas tarifas, argumentando que estas poderiam prejudicar as duas economias, aumentar os custos para as famílias norte-americanas, perturbar cadeias de abastecimento e colocar em risco milhões de empregos dependentes do comércio entre os dois países.

A suspensão poderá representar mais um instrumento de pressão nas negociações entre Washington e Otava. A economia canadiana já foi afetada por anteriores rondas de tarifas, enquanto os dois países procuram resolver o conflito comercial mais amplo. A próxima revisão do USMCA dá ainda à administração Trump uma importante margem de negociação.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.