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Os Estados Unidos e o Irão voltaram a intensificar os confrontos em torno do estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas da região. A situação agravou-se após vários dias de ataques e contra-ataques, colocando em causa o cessar-fogo acordado entre os dois países no mês passado.
Enquanto Teerão afirma ter encerrado a passagem marítima, Washington garante que o tráfego continua a circular, embora de forma mais reduzida. A disputa pelo controlo do estreito tornou-se um dos principais focos da atual crise.
Porque é que os EUA dizem que o estreito continua aberto?
O presidente norte-americano rejeitou a declaração iraniana de que o estreito de Ormuz foi encerrado.
Antes das declarações de Trump, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) já tinha afirmado que algumas embarcações continuavam a atravessar a via marítima, assegurando que o tráfego permanecia em circulação.
Mais tarde, numa entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, Trump afirmou que as forças norte-americanas estavam a manter o estreito aberto pela força.
O presidente norte-americano declarou ainda que tinham existido reuniões com representantes iranianos e que tinha sido alcançado um acordo favorável aos Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano. Segundo Trump, o Irão abandonou as negociações e, pouco tempo depois, lançou um drone contra um navio. A Casa Branca não forneceu mais detalhes sobre esse alegado acordo e Teerão também não fez qualquer referência a conversações.
Como respondeu o Irão?
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) declarou que o estreito de Ormuz estava encerrado e afirmou que continuará assim até ao fim daquilo que considera ser a interferência dos Estados Unidos.
Segundo o IRGC, várias embarcações ignoraram os avisos das autoridades iranianas e não seguiram a rota considerada autorizada. Uma dessas embarcações terá sido atingida por um disparo de advertência e obrigada a parar.
O grupo advertiu ainda que poderá atacar outras bases consideradas inimigas na região caso ocorram novos ataques norte-americanos.
Em paralelo, o Irão lançou ataques com drones e mísseis que, segundo afirmou, tinham como alvo interesses dos Estados Unidos em vários países da região do Golfo. Foram registados relatos de ataques nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Bahrein e Omã.
Porque está o cessar-fogo em risco?
O memorando de entendimento assinado a 17 de junho entre os Estados Unidos e o Irão prolongava o cessar-fogo por 60 dias. O objetivo era permitir o restabelecimento do comércio através do estreito de Ormuz e criar espaço para negociações sobre o programa nuclear iraniano e o levantamento de sanções.
No entanto, essas negociações praticamente não avançaram, limitando-se a alguns contactos técnicos indiretos. Ao mesmo tempo, os confrontos entre Israel e o Hezbollah, no Líbano, continuaram, apesar de também estarem abrangidos pelo entendimento.
Segundo o The Guardian, o acordo começou a desfazer-se quando o Irão atacou três navios comerciais que navegavam junto à costa de Omã por uma rota que Teerão dizia não ter autorizado. Os Estados Unidos responderam com ataques de mísseis, dando início à atual sequência de confrontos.
O jornal acrescenta ainda que Teerão pretende que qualquer solução duradoura para a região reconheça o seu controlo sobre o estreito de Ormuz.
O que aconteceu ao navio GFS Galaxy?
Um dos episódios mais recentes ocorreu quando o navio porta-contentores GFS Galaxy, de bandeira cipriota, foi atingido enquanto navegava junto à costa de Omã.
Segundo o UK Maritime Trade Operations, a embarcação ficou imobilizada e a tripulação foi obrigada a abandonar o navio em botes salva-vidas. O Governo da Índia informou que dez cidadãos indianos foram resgatados, permanecendo um desaparecido.
Na sequência deste incidente, o Centcom anunciou ataques contra 140 alvos militares iranianos. De acordo com os Estados Unidos, a operação teve como objetivo reduzir a capacidade do Irão para atacar navios civis e embarcações comerciais que atravessam o estreito. Entre os alvos atingidos estavam posições de mísseis e drones, instalações navais, depósitos de munições, redes de comunicações e locais de vigilância.
Que impacto está a ter esta crise?
O regresso das hostilidades provocou nervosismo nos mercados internacionais, mas o preço do petróleo Brent situava-se nos 75 dólares por barril no início do fim de semana, bastante abaixo dos valores superiores a 120 dólares registados durante a guerra e próximo dos níveis anteriores ao conflito.
Segundo o The Guardian, esta evolução indica que os mercados acreditam que tanto os Estados Unidos como o Irão pretendem evitar um regresso a uma guerra em grande escala e que a economia mundial se está a adaptar à prolongada incerteza em torno do estreito de Ormuz.
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