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Atualmente, não existe um plano oficial nem decisão final, mas a proposta surge num contexto de forte aumento da receita aduaneira. Só em julho, o governo arrecadou quase 30 mil milhões de dólares em tarifas – mais 242% que no mesmo mês de 2024. Desde abril, o valor acumulado ronda 200 mil milhões, três vezes mais que no período homólogo, avança a CNN.

O senador republicano Josh Hawley apresentou um projeto de lei – o American Worker Rebate Act – que propõe usar essas receitas para enviar cheques de, no mínimo, 600 dólares por adulto e criança dependente. Uma família de quatro pessoas receberia, pelo menos, 2.400 dólares. O montante poderia aumentar se as receitas superassem as previsões, mas haveria uma redução progressiva para rendimentos mais altos.

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A ideia poderia ser popular junto dos eleitores, sobretudo dos que enfrentam dificuldades económicas ou se queixam do elevado custo de vida. Uma sondagem recente, por exemplo, mostra que 53% dos americanos consideram o preço das compras alimentares uma grande fonte de stress.

Contudo, economistas alertam à estação americana para riscos sérios. Como o facto de as tarifas já contribuirem para o aumento dos preços, a injeção de dinheiro nas famílias poder alimentar a inflação, criar escassez de bens e até desencadear uma espiral salários-preços. Stephanie Roth, da Wolfe Research, sublinha que esta medida poderia “agravar um problema já existente”. David Kelly, do JPMorgan Asset Management, compara a proposta a “comer sobremesa antes dos legumes”, argumentando que com uma economia em pleno emprego, dar mais dinheiro aos consumidores apenas aumenta os preços.

Outro ponto crítico é que o dinheiro das tarifas não vem do estrangeiro, mas sim das empresas importadoras norte-americanas, que frequentemente repercutem os custos nos consumidores, elevando preços de produtos como os da Procter & Gamble, Nike, Walmart, Adidas e Ford. Para Kimberly Clausing, do Peterson Institute, “cobrar um imposto e depois devolvê-lo não faz sentido”, pois mantém as distorções e custos económicos das tarifas sem benefício fiscal líquido.

Trump insiste que o objetivo principal continua a ser reduzir o défice orçamental com estas receitas, mas críticos alertam que redistribuir parte desse dinheiro minaria esse propósito, especialmente num contexto em que os cortes fiscais e o aumento da despesa pública já deverão acrescentar triliões à dívida nacional. Maya MacGuineas, do Committee for a Responsible Federal Budget, defende que “a última coisa a fazer é dar esse dinheiro de volta”.