O presidente dos Donald Trump voltou a exigir este fim-de-semana apoio internacional para garantir a reabertura e segurança do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, mas encontrou resistência significativa de parceiros europeus e uma resposta clara de Portugal de que não haverá participação militar portuguesa.

A insistência de Trump surge no contexto da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, que provocou o bloqueio e tensões nesta passagem marítima. Trump apelou a uma "coligação de países afetados" para enviar navios de guerra e patrulhar o estreito, afirmando que estas nações "beneficiam" do fluxo de energia e devem "ajudar a garantir que nada de mal aconteça ali".

Contudo, vários aliados europeus têm recusado um envolvimento militar direto. A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que não há actualmente plano para expandir a missão naval existente para cobrir o Estreito de Ormuz e que a prioridade continua a ser a estabilidade regional e diplomacia, não uma operação militar europeia autónoma.

Alemanha, Itália, Luxemburgo, Espanha e Reino Unido estão entre os Estados-membros que descartaram enviar navios de guerra para esta missão, sublinhando que a crise exige soluções políticas e não intervencionismo armado.

Em resposta ao apelo de Trump, Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, reiterou que o país "não está nem vai estar envolvido" em qualquer ação militar na região. Rangel salientou que, embora Portugal apoie esforços para "desobstruir" o estreito e garantir a liberdade de navegação, isso deve ser feito através de meios diplomáticos e políticos, e não com o envio de forças militares.

A posição portuguesa, alinhada com a maioria dos Estados-membros da UE, reflete uma preferência pela diplomacia e cooperação multilateral, reforçando que qualquer solução para a crise no Médio Oriente deve passar pelo diálogo e redução das tensões, em vez de uma escalada militar.

A falta de vontade de aliados europeus para responder ao apelo de Washington sublinha as divergências transatlânticas sobre a melhor forma de enfrentar a crise no Estreito de Ormuz, em plena guerra no Golfo Pérsico que tem efeitos geopolíticos e económicos globais.