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Donald Trump intensificou a pressão sobre os aliados europeus para que contribuam na proteção do estreito de Ormuz, alertando que a NATO enfrenta um “futuro muito mau” caso os seus membros não venham em auxílio de Washington.

O bloqueio desta passagem vital pelo Irão, em retaliação a ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, provocou uma crise sem precedentes no abastecimento mundial de energia e no comércio global, com a maior perturbação da oferta de petróleo da história e uma escalada dos preços internacionais do crude.

O apelo de Trump para que os aliados enviem navios para escoltar mercadorias e desbloquear o fluxo global de petróleo recebeu respostas cautelosas. Países como Austrália, França, Japão e Reino Unido afirmaram que não planeiam enviar embarcações para a região.

“É justo que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal aconteça. Se não houver resposta, ou se for negativa, penso que será muito mau para o futuro da NATO”, declarou Donald Trump em entrevista ao Financial Times.

Trump acrescentou que poderá adiar uma cimeira com o líder chinês Xi Jinping, intensificando a pressão sobre Pequim, aliado do Irão, para ajudar a garantir a segurança da passagem marítima. A China terá estado em conversações com Teerão sobre a passagem segura de petróleo e gás.

“Penso que a China também deve ajudar, porque obtém 90% do seu petróleo do estreito”, afirmou Trump, sugerindo que esperar pela cimeira seria tarde demais. “Gostaríamos de saber antes disso”.

O presidente afirmou ainda que a sua administração contactou sete países para apoio, sem revelar quais, e numa publicação anterior nas redes sociais mencionou China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

“Exijo que estes países protejam o seu próprio território, porque é o seu território. É de lá que obtêm a sua energia”, disse a bordo do Air Force One, no regresso da Florida a Washington.

Reações internacionais

Até agora, os apelos de Trump não geraram compromissos concretos. O primeiro-ministro japonês, Sanae Takaichi, confirmou que o Japão não planeia enviar navios para escolta e que os EUA ainda não fizeram um pedido formal de ajuda. Face à situação, o Japão começou a libertar reservas estratégicas de petróleo, pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia em 2022, para mitigar preocupações sobre abastecimento.

Na Austrália, a ministra dos Transportes, Catherine King, declarou que o país não enviará navios para Ormuz, apesar da importância estratégica do estreito. França afirma que a sua presença militar visa garantir estabilidade regional e não agravar o conflito. A Coreia do Sul mantém comunicações próximas com os EUA antes de decidir sobre qualquer participação.

O bloqueio do estreito fez disparar os preços do petróleo, que chegaram a ultrapassar os 104 dólares por barril. Trump afirmou que os preços irão cair rapidamente assim que o conflito terminar, embora não tenha definido um prazo específico. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, acrescentou que o conflito deverá chegar ao fim “nas próximas semanas, podendo ser mais cedo”.

Apesar de contactos com Teerão, Trump duvida que o Irão esteja preparado para negociações sérias. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, negou que o país tenha pedido cessar-fogo ou negociado com os EUA, afirmando que o Irão está “estável e forte” para se defender pelo tempo necessário, de acordo com o The Guardian.

O conflito continua a afetar o Golfo: drones e mísseis iranianos mataram pelo menos sete pessoas nos Emirados Árabes Unidos, incluindo uma vítima em Abu Dhabi. O aeroporto do Dubai teve de encerrar temporariamente operações devido a um “incidente com drones” que causou um pequeno incêndio.

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