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“Precisamos de manter a distância”, afirmou Marine Le Pen aos deputados do Rassemblement National, numa reunião realizada na terça-feira, segundo um responsável sénior do partido presente no encontro, diz o Politico.

As forças populistas de direita na Europa já vinham a afastar-se do Presidente norte-americano mesmo antes da derrota sofrida pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, nas eleições parlamentares de domingo, um processo eleitoral marcado por vários apoios públicos de Trump e pela visita do vice-presidente norte-americano, JD Vance, nos últimos dias de campanha.

A derrota de Orbán, somada às repercussões da guerra no Irão e às polémicas que envolvem Trump e o Papa, terá acelerado esse afastamento.

Apesar de alguns responsáveis considerarem vantagens em manter a proximidade com Trump, outros alertam para os riscos eleitorais dessa estratégia. “No contexto específico das eleições, não é uma abordagem particularmente promissora”, afirmou Torben Braga, deputado do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), membro da comissão de política externa do Bundestag.

No caso da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, as críticas de Trump ao Papa Leão XIV terão sido um ponto de rutura. Ainda assim, o alinhamento com o pontífice também responde a cálculos políticos internos, tendo em conta a sua base eleitoral católica e o desgaste da imagem de Trump em vários países europeus, onde é associado ao conflito no Médio Oriente e ao aumento dos preços da energia.

Um responsável sénior do Rassemblement National considera que a derrota de Orbán não se explica apenas pela fadiga dos eleitores, mas também pela perceção da proximidade com Washington. “A proximidade com os Estados Unidos, no contexto atual, não foi bem recebida pelos eleitores húngaros”, afirmou, sob anonimato.

O partido francês pretende, por isso, evitar ser associado ao atual executivo norte-americano, numa tentativa de reforçar a sua posição antes das eleições presidenciais de 2027. Na Alemanha, dirigentes da AfD seguem uma linha semelhante, tendo em vista eleições regionais decisivas em setembro.

Matthias Moosdorf, deputado da AfD, escreveu na rede social X que a demonstração “ostensiva de amizade” entre Budapeste e a administração Trump, incluindo o apoio público de JD Vance a Orbán, acabou por ser um fator negativo para o líder húngaro.

Mudança de perceção

Quando Trump regressou à Casa Branca, havia a expectativa de que pudesse fortalecer movimentos populistas de direita noutros países. A sua administração chegou mesmo a estruturar contactos com forças ideologicamente alinhadas a nível internacional.

No entanto, a perceção mudou. O AfD viu inicialmente vantagem nesse apoio, enquanto o Rassemblement National sempre adotou uma posição mais cautelosa, devido à impopularidade de Trump em França e entre parte do seu eleitorado.

Segundo antigos responsáveis políticos, Marine Le Pen terá concluído, após o ataque ao Capitólio em 2021, que uma proximidade excessiva com Trump poderia ser prejudicial. Ainda assim, o partido manteve contactos institucionais com representantes norte-americanos quando politicamente conveniente.

Apesar do afastamento, algumas ideias associadas a líderes como Orbán continuam a influenciar a direita radical europeia, nomeadamente a postura crítica face à União Europeia e às instituições comunitárias. Para alguns responsáveis, a derrota eleitoral na Hungria não significa o fim dessa influência. O combate político contra Bruxelas mantém-se. “Precisamos de um grande país para liderar a revolta”, afirmou um aliado próximo de Le Pen. “Se vencermos em 2027, outros países seguirão”.

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