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A Anthropic insiste que a sua tecnologia não deve ser utilizada para vigilância em massa de cidadãos norte-americanos nem implantada em sistemas de armas totalmente autónomos, enquanto o Pentágono afirma que opera dentro da lei e que os fornecedores contratados não podem impor condições sobre a forma como os seus produtos são utilizados.

"Estou a ordenar a TODAS as agências federais do Governo dos Estados Unidos que cessem IMEDIATAMENTE toda a utilização da tecnologia da Anthropic. Não precisamos dela, não a queremos e não voltaremos a fazer negócios com eles!", disse Trump, numa publicação na sua plataforma, a Truth Social.

"Haverá um período de transição de seis meses para agências como o Departamento de Guerra, que utilizam os produtos da Anthropic a vários níveis", acrescentou o presidente norte-americano, referindo-se ao Departamento de Defesa.

"A Anthropic precisa de organizar-se e colaborar durante este período de transição, ou usarei todo o poder da Presidência para obrigá-la a cumprir, com graves consequências civis e criminais", ameaçou.

A Anthropic não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O Pentágono tinha afirmado que a Anthropic deveria concordar em cumprir a sua exigência até às 17.01 horas (22.01 horas em Portugal continental) de sexta-feira, sob pena de ser obrigada a cumprir a Lei de Produção de Defesa.

A lei, da época da Guerra Fria, invocada pela última vez durante a pandemia de Covid-19, concede ao Governo federal amplos poderes para encaminhar a indústria privada para as prioridades de segurança nacional.

O Pentágono também ameaçou designar a Anthropic como um risco para a cadeia de abastecimento - uma classificação geralmente reservada para empresas de países adversários -, o que poderia prejudicar seriamente a sua capacidade de trabalhar com o Governo dos EUA e afetar a sua reputação.

"Estas ameaças não mudam a nossa posição: não podemos, em sã consciência, acatar a sua exigência", frisou o CEO da Anthropic, Dario Amodei, na quinta-feira.

O conflito gerou uma demonstração de solidariedade por parte de outros setores da indústria, com centenas de funcionários de gigantes da IA ​​como a Google DeepMind e a OpenAI a exortarem as suas empresas a apoiar a Anthropic numa carta aberta intitulada "Não Seremos Divididos".

"Esperamos que os nossos líderes ponham de lado as suas diferenças e se unam para continuar a recusar as atuais exigências do Departamento de Guerra para a permissão de usar os nossos modelos para vigilância em massa doméstica e assassinatos autónomos sem supervisão humana", pode ler-se na carta.

"Estão a tentar dividir cada empresa com medo que a outra ceda. Esta estratégia só funciona se nenhum de nós souber a posição dos outros", alertaram.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, disse aos funcionários, na quinta-feira, que também estava a procurar um acordo com o Pentágono que incluísse linhas vermelhas semelhantes às da Anthropic e que esperava ajudar a intermediar uma resolução. "Há muito que acreditamos que a IA não deve ser utilizada para vigilância em massa ou armas letais autónomas, e que os humanos devem permanecer envolvidos nas decisões automatizadas de alto risco", escreveu num memorando aos trabalhadores, segundo os média norte-americanos.

Os representantes da indústria em Washington pressionaram fortemente por uma solução negociada para o diferendo entre a Anthropic e o Pentágono, alertando que o confronto corre o risco de prejudicar o setor da IA ​​como um todo.

"As decisões sobre a IA militar não podem ser resolvidas através de impasses pontuais entre o Pentágono e as empresas individuais", disse Daniel Castro, vice-presidente da Information Technology and Innovation Foundation. "Se certas capacidades de IA forem consideradas essenciais para a defesa nacional, estas expectativas devem ser debatidas abertamente e transformadas em lei", concluiu.

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