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O Irão não tenciona, para já, participar em novas negociações com os Estados Unidos da América, segundo avançou a imprensa estatal iraniana, citada pelo jornal britânico The Guardian, numa decisão que ameaça comprometer os esforços diplomáticos para travar o conflito em curso.
A posição de Teerão surge horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar o envio de uma delegação para Islamabad, com o objetivo de retomar as conversações. Ainda assim, os meios oficiais iranianos indicam que “não há planos” para participar nesta nova ronda.
A tensão agravou-se após a apreensão de um navio de carga iraniano pelas forças norte-americanas, perto do Estreito de Ormuz. Segundo Trump, o navio tentou ultrapassar o bloqueio imposto pelos EUA, estando agora sob controlo norte-americano.
As autoridades iranianas reagiram de imediato, classificando o incidente como “pirataria armada” e prometendo uma resposta. De acordo com um porta-voz militar citado pelos media estatais, o navio vinha da China.
O episódio levanta dúvidas sobre a viabilidade do cessar-fogo em vigor há duas semanas, numa altura em que a guerra, já na oitava semana, provocou milhares de mortos no Irão e no Líbano, além de fortes impactos nos mercados energéticos globais.
Teerão acusa Washington de manter exigências “excessivas” e de violar o acordo ao continuar o bloqueio naval, considerado ilegal pelas autoridades iranianas. “Trata-se de uma violação do cessar-fogo”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.
Apesar do impasse, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, deverão manter contactos, numa tentativa de manter abertas as vias diplomáticas.
Do lado norte-americano, Trump classificou as eventuais negociações como a “última oportunidade” para alcançar um acordo de paz, reiterando ameaças de ataques a infraestruturas iranianas, incluindo centrais elétricas e pontes, caso não haja entendimento.
Para participar na delegação em Islamabad, capital do Paquistão, Trump volta a enviar Steve Witkoff e o genro, Jared Kushner, numa comissão liderada pelo vice-presidente norte-americano, J.D. Vance.
O controlo do estreito de Ormuz continua a ser um dos principais pontos de tensão. Por esta rota passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo, e o seu encerramento tem provocado volatilidade nos mercados e receios de uma nova crise energética global.
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