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No segundo e último dia da cimeira entre os líderes dos EUA e da China, realizada nos jardins de Zhongnanhai, em Pequim, Donald Trump garantiu que os dois países partilham objetivos semelhantes relativamente ao conflito no Irão.

“Falámos sobre o Irão. Sentimos de forma muito semelhante como queremos que isto termine. Não queremos que eles tenham uma arma nuclear. Queremos os estreitos abertos”, afirmou o presidente norte-americano.

Trump acrescentou ainda que Washington pretende que o conflito termine rapidamente. “Queremos que eles [o Irão] acabem com isto porque é uma situação louca. E não é bom, não pode acontecer”, declarou.

As declarações surgem numa altura em que aumenta a especulação sobre a pressão exercida pelos EUA sobre a China, o maior comprador de petróleo iraniano, para que Pequim utilize influência junto de Teerão e ajude a garantir a reabertura do Estreito de Ormuz.

O representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, afirmou à Bloomberg TV que os chineses “não querem estar do lado errado” da questão iraniana, sublinhando que “é muito importante para a China manter o Estreito de Ormuz aberto”.

Também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou anteriormente que Washington espera convencer Pequim “a desempenhar um papel mais ativo” para pressionar o Irão a abandonar as ações que está a desenvolver no Golfo Pérsico.

Contudo, numa entrevista à NBC News, Marco Rubio relativizou essa necessidade. “Não estamos a pedir ajuda à China. Não precisamos da ajuda deles”, afirmou.

Por sua vez, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês voltou esta sexta-feira a defender um cessar-fogo no Irão e apelou à reabertura “o mais rapidamente possível” do Estreito de Ormuz.

Cerca de metade do petróleo bruto importado pela China passa por esta via marítima, embora se considere que a maior preocupação de Pequim seja o impacto económico global do conflito no Médio Oriente, sobretudo se este conduzir a uma recessão internacional que afete a procura pelas exportações chinesas.

Apesar disso, muitos responsáveis chineses consideram que a crise iraniana “não é responsabilidade da China”.

Segundo a nota divulgada pela Casa Branca após mais de duas horas de reuniões entre Trump e Xi na quinta-feira, os dois líderes concordaram que “o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para apoiar o livre fluxo de energia”. O documento refere ainda que Xi Jinping deixou clara “a oposição da China à militarização do Estreito”.

Ainda assim, Trump gerou polémica ao minimizar, numa entrevista à Fox News, a importância da localização do urânio enriquecido iraniano, uma das exigências de Israel.

“Sentir-me-ia melhor se o encontrasse, mas acho que isso é mais uma questão de relações públicas do que outra coisa”, afirmou ao apresentador Sean Hannity.

Do lado chinês, o resumo oficial da reunião fez apenas uma breve referência à “situação no Médio Oriente”. Os meios de comunicação estatais chineses destacaram sobretudo o conceito de “estabilidade estratégica construtiva”, utilizado por Pequim para definir a atual relação entre os dois países.

A agência estatal Xinhua descreveu a expressão como uma forma de procurar “harmonia sem uniformidade” e “pontos comuns preservando as diferenças”, considerando tratar-se de um conceito “cheio de sabedoria e responsabilidade”.

Durante a visita, Trump mostrou-se satisfeito com a receção chinesa. Segundo jornalistas que acompanharam a deslocação, o presidente norte-americano comentou que Xi Jinping lhe estava a oferecer rosas “para o Rose Garden” da Casa Branca.

“Esta foi uma visita incrível”, afirmou Trump. “Acho que resultaram muitas coisas boas daqui. Fizemos acordos comerciais fantásticos, ótimos para ambos os países. Fizemos coisas realmente maravilhosas.”

O presidente norte-americano disse ainda à Fox News que a China concordou em comprar petróleo norte-americano, soja e 200 aviões da Boeing.

Apesar do ambiente cordial e dos anúncios económicos, continuam sem avanços concretos alguns dos principais pontos de tensão entre Washington e Pequim, incluindo a questão de Taiwan.

Para Julian Gewirtz, antigo diretor para a China no Conselho de Segurança Nacional da administração Biden, a nova formulação chinesa sobre as relações bilaterais procura “congelar a atual fase de impasse estratégico durante o resto do mandato de Trump e, idealmente, para além dele”.

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