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Donald Trump partilhou um vídeo gráfico de um homicídio ocorrido na Florida, numa tentativa de recentrar o debate político nos Estados Unidos na sua política de imigração, diz o The Guardian. A divulgação do conteúdo foi feita na rede social Truth Social.
O vídeo, captado por uma câmara de vigilância no exterior de uma bomba de gasolina em Fort Myers, mostra um homem, identificado pelas autoridades como um imigrante haitiano, a agredir mortalmente uma mulher com um martelo. A vítima seria funcionária do estabelecimento.
De acordo com o Fort Myers News-Press, o suspeito do homicídio, que se encontra em situação de sem-abrigo, tentou levantar dinheiro num multibanco da bomba de gasolina, sem sucesso, exigindo depois dinheiro à funcionária. No dia seguinte, terá regressado e atacado fatalmente a vítima com um martelo. A mulher era imigrante do Bangladesh.
A decisão de Trump de partilhar imagens tão explícitas para milhões de seguidores foi considerada chocante, mas enquadra-se num padrão já observado: o uso de vídeos violentos atribuídos a imigrantes indocumentados para alimentar o medo em torno da imigração e justificar políticas de deportação em massa.
No discurso do Estado da União, em janeiro, Trump evocou o caso de Iryna Zarutska, uma mulher ucraniana assassinada no ano anterior na Carolina do Norte. Na ocasião, descreveu em detalhe as imagens do crime, referindo a expressão de terror da vítima nos últimos momentos de vida. O presidente utilizou ainda esse caso como argumento contra a imigração, descrevendo incorretamente o suspeito — que nasceu nos Estados Unidos — como imigrante.
O jornal britânico refere ainda que Trump tem vindo a fomentar hostilidade contra haitianos desde a campanha de 2024, altura em que acusou falsamente imigrantes dessa origem, em Springfield, Ohio, de comerem animais de estimação. Essa teoria da conspiração, sem fundamento, foi inicialmente amplificada por JD Vance, então senador pelo Ohio e atual vice-presidente, que também defendeu que os haitianos com estatuto legal temporário deveriam ser considerados “ilegais”.
Entretanto, várias decisões judiciais têm bloqueado as tentativas da administração de retirar o estatuto de proteção temporária a haitianos e outros imigrantes. Ainda assim, o DHS tem utilizado regularmente imagens nas redes sociais para intensificar sentimentos anti-imigração, num contexto de repressão alargada que também abrange imigrantes legais, com o objetivo declarado de deportar mais de um quarto da população atual dos Estados Unidos.
Quando Trump partilhou o vídeo, acrescentou uma longa legenda contra aquilo que descreveu incorretamente como “estatuto de proteção temporária”. Ao contrário da versão inicialmente divulgada pelo DHS, as imagens não estavam desfocadas.
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