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O Médio Oriente vive uma escalada de tensões depois de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ter utilizado linguagem explícita para exigir que o Irão permita a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, ameaçando atacar pontes e infraestruturas energéticas do país.
O presidente iraniano do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, respondeu duramente e acusou Trump de ser manipulado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. “As suas ações imprudentes estão a arrastar os Estados Unidos para um inferno vivo para cada família, e toda a nossa região vai arder porque insiste em seguir as ordens de Netanyahu”, publicou Qalibaf na rede social X.
No fim de semana, o Irão lançou ataques com drones e mísseis contra instalações petroquímicas no Kuwait, Bahrain e Emirados Árabes Unidos, demonstrando que mantém capacidade ofensiva apesar dos ataques conjuntos dos EUA e de Israel. As Guardas Revolucionárias afirmaram também ter atingido um navio ligado a Israel no porto de Jebel Ali, no Dubai.
O impacto destes confrontos já se fez sentir nos mercados de energia. Esta segunda-feira, o crude abriu em alta: o West Texas Intermediate, referência nos EUA, subiu 1,86% para 113,62 dólares por barril, enquanto o Brent do Mar do Norte subiu 1,16% para 110,30 dólares por barril.
As operações de resgate também marcaram o fim de semana: a segunda tripulação de um F-15E abatido no sudoeste do Irão foi resgatada, dois dias após o acidente. Trump anunciou que um militar estava “gravemente ferido, mas seguro e protegido”, numa missão que terá sido possível com apoio da CIA. Pelo menos cinco pessoas morreram nos ataques dos EUA e de Israel durante a operação de salvamento.
No norte de Israel, a cidade de Haifa sofreu o impacto direto de um míssil iraniano que atingiu um prédio residencial, matando duas pessoas e deixando quatro feridos, incluindo um bebé de 10 meses. Equipas de emergência continuam à procura de duas pessoas desaparecidas nos escombros. A defesa israelita intercetou novos mísseis lançados pelo Irão, mas alertou a população para permanecer em abrigos.
As tensões não se ficaram pelo Golfo: no Líbano, ataques israelitas mataram pelo menos 15 pessoas, incluindo cinco na capital Beirut, e feriram dezenas, segundo o Ministério da Saúde. O chefe militar israelita visitou tropas no sul do país, prometendo intensificar ataques contra o Hezbollah.
Do lado iraniano, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, afirmou que as ameaças de Trump poderiam constituir crimes de guerra, citando o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. “O Irão dará uma resposta decisiva, imediata e que faça arrepender qualquer agressão ou ameaça iminente”, avisou.
No contexto internacional, um petroleiro de bandeira indiana, propriedade de uma subsidiária japonesa, atravessou o estreito de Ormuz em segurança, enquanto o primeiro-ministro japonês, Sanae Takaichi, anunciou a preparação de negociações com Teerão face à crise energética global.
Os Emirados Árabes Unidos reportaram ferimentos causados por destroços de drones interceptados em Abu Dhabi e Sharjah, atingindo cidadãos estrangeiros e empresas. O Paquistão expressou solidariedade com os EAU e apelou à contenção regional, sublinhando a necessidade de evitar uma escalada militar descontrolada.
O Irão também executou Ali Fahim, condenado por tentativa de assalto a uma instalação militar durante os protestos de janeiro, num episódio que se soma a outros casos com denúncias de julgamentos injustos e tortura, segundo a Amnistia Internacional.
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