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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou presença no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA), um evento que celebra a liberdade de imprensa e que foi reagendado depois de a edição de abril ter sido cancelada na sequência de um tiroteio.

O que é o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca? Das sátiras políticas aos disparos contra Trump
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A cerimónia realizou-se no Waldorf Astoria, em Washington, em vez do habitual Washington Hilton, onde ocorreu o ataque. A mudança de local surgiu após críticas à segurança do hotel, escreve a BBC.

Perante jornalistas de órgãos de comunicação com os quais tem mantido conflitos públicos, incluindo o New York Times, a CNN e o Wall Street Journal, Trump começou por adotar um tom descontraído.

"Tal como a minha presidência, a segunda vez é sempre melhor — e a terceira será ainda melhor... Estou apenas a brincar", afirmou, arrancando algumas gargalhadas ao sugerir, em tom de brincadeira, uma nova candidatura presidencial.

O presidente afirmou ainda que respeita "a maioria" dos jornalistas, antes de endurecer o discurso e dirigir várias críticas aos profissionais presentes.

"Este lugar é realmente o maior grupo de pessoas com 'Trump Derangement Syndrome' ("Síndrome de irritação em relação a Trump, em tradução livre) alguma vez reunido ao mesmo tempo", afirmou, recorrendo à expressão frequentemente utilizada pelos seus apoiantes para descrever aqueles que, na sua opinião, demonstram uma "oposição irracional" ao presidente.

Trump acrescentou ainda, em tom irónico, que alguns jornalistas "tiveram sorte" por o jantar de abril ter sido interrompido pelo ataque armado. "Ia atrás de vocês", disse.

Ao longo de um discurso com cerca de uma hora, o presidente dirigiu críticas a vários jornalistas, bem como a figuras do Partido Democrata e do mundo do espetáculo. Ainda assim, deixou uma mensagem de defesa da liberdade de expressão.

"Resolvemos as nossas diferenças não com balas, mas com um debate aberto e vigoroso", afirmou. "E nenhum louco com uma arma alguma vez mudará isso. Não podemos permitir que isso aconteça."

Trump homenageou também o agente Victor Gonzalez, dos Serviços Secretos norte-americanos, distinguido pela atuação durante o ataque de abril. "Como disse há três meses, o espetáculo tem de continuar", declarou.

O presidente cumprimentou ainda os vencedores dos prémios atribuídos durante a noite, incluindo uma equipa do Wall Street Journal, distinguida pela cobertura das ligações de Trump ao financeiro Jeffrey Epstein.

Num dos momentos mais descontraídos da noite, Trump brincou com a possibilidade de voltar a candidatar-se à presidência, apesar de a Constituição norte-americana limitar os presidentes a dois mandatos.

"Tenho o prazer de anunciar a minha intenção — e isto é uma espécie de exclusivo — de concorrer a um quarto mandato como presidente dos Estados Unidos", disse, numa referência humorística ao facto de já ter concorrido três vezes à Casa Branca e vencido duas eleições.

Nas últimas semanas, Trump tem voltado a sugerir, ainda que por vezes em tom de brincadeira, a possibilidade de procurar um terceiro mandato, algo que contraria a 22.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, em vigor desde 1951.

A relação entre a Casa Branca e os meios de comunicação continua, entretanto, marcada por forte tensão. Na semana passada, Trump ameaçou retirar as licenças de emissão de várias cadeias televisivas norte-americanas por não terem transmitido em direto um discurso em horário nobre sobre segurança eleitoral.

O jantar reuniu cerca de 700 participantes, um número bastante inferior aos mais de 2.000 convidados da edição originalmente marcada para abril, interrompida pelo ataque armado.

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