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O presidente dos Estados Unidos foi questionado na Casa Branca sobre se a administração norte-americana estava a rever a sua posição relativamente ao arquipélago do Atlântico Sul, cuja soberania é reivindicada pela Argentina. “Revejo sempre todas as posições – é apenas uma entre muitas”, respondeu Donald Trump.

Oficialmente, os Estados Unidos mantêm uma posição de neutralidade relativamente à soberania das ilhas Malvinas (ou Falkland, no Reino Unido). Na prática, porém, reconhecem a administração britânica do território, que o Reino Unido reivindicou pela primeira vez no final do século XVII e que tem mantido quase continuamente desde 1833.

As Falkland foram invadidas pela Argentina em 1982, dando origem a um conflito militar com o Reino Unido. Segundo o jornal britânico, os comentários de Trump constituem até agora o sinal mais claro de que a administração norte-americana poderá utilizar a disputa como instrumento de pressão sobre o Governo do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, para aumentar as despesas com a Defesa e os contributos para a NATO.

Inglaterra-Argentina reacende disputa histórica sobre as Ilhas Malvinas
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A declaração surge depois de um responsável norte-americano não identificado ter dito ao Telegraph, na semana passada, que Washington poderia alterar a sua posição sobre as ilhas caso o Reino Unido não cumprisse os compromissos assumidos relativamente às despesas militares.

A possibilidade de uma mudança na posição dos Estados Unidos surge também depois de notícias segundo as quais John Healey, ministro britânico das Finanças, estaria a preparar-se para abandonar o anterior compromisso de destinar 3% do Produto Interno Bruto à Defesa até 2030. O primeiro orçamento de Healey está previsto para 28 de outubro.

Trump tem colocado entre as suas prioridades a pressão sobre os aliados dos Estados Unidos para que aumentem os orçamentos da Defesa e os contributos para a NATO, acusando outros países de não assumirem uma parcela suficiente dos encargos. Numa cimeira realizada em Haia no ano passado, os aliados comprometeram-se a gastar 5% do PIB em despesas relacionadas com a Defesa e a segurança até 2035.

Uma disputa com décadas de história

A possibilidade de os Estados Unidos alterarem a sua posição sobre as Falkland tem sido alvo de especulação há vários meses. Em abril, uma mensagem de correio eletrónico do Pentágono que foi divulgada sugeria a revisão da reivindicação britânica, numa resposta à falta de apoio do Reino Unido à decisão de Trump de entrar em guerra com o Irão.

Para o Reino Unido, uma mudança de posição dos Estados Unidos representaria um golpe psicológico à sua soberania sobre as ilhas.

Durante o conflito de 1982, a decisão do Governo de Margaret Thatcher de enviar uma força naval para recuperar o território contou com um forte apoio diplomático de Ronald Reagan. O então presidente norte-americano tomou o partido do Reino Unido, apesar de os Estados Unidos serem também aliados da junta militar que governava a Argentina.

No conflito morreram 649 militares argentinos e 255 britânicos, antes de as forças argentinas se renderem, em junho de 1982. O episódio teve um papel importante no reforço da relação entre Thatcher e Reagan, que eram aliados políticos e partilhavam afinidades ideológicas.

Trump próximo de Milei

A eventual mudança da posição norte-americana surge num momento em que Trump se aproximou do presidente populista argentino, Javier Milei, que esteve presente na segunda tomada de posse do presidente norte-americano, em janeiro do ano passado.

Também no ano passado, Trump autorizou uma linha de apoio financeiro de 20 mil milhões de dólares à Argentina, destinada a ajudar o país a enfrentar uma crise financeira. O financiamento ficou, contudo, condicionado à vitória do partido de Milei nas eleições legislativas seguintes.

O partido La Libertad Avanza acabou por vencer as eleições, contrariando as previsões das sondagens. Mais tarde, Trump autorizou ainda a importação de carne de bovino argentina, numa tentativa de reduzir os preços dos produtos alimentares nos Estados Unidos.

Milei tem defendido publicamente a reivindicação argentina sobre as ilhas. Em 2013, num referendo realizado nas Falkland, 1.513 dos 1.517 habitantes que votaram manifestaram-se a favor da permanência do território como parte do Reino Unido.

A questão voltou a ganhar visibilidade no passado mês de julho, depois da vitória da Argentina por 2-1 frente à Inglaterra nas meias-finais do Mundial de futebol. Durante os festejos, jogadores argentinos exibiram uma faixa com a frase “Las Malvinas son Argentinas” — “As Falkland são argentinas”.

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