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Nas últimas 48 horas, três pessoas morreram enquanto aguardavam socorro, em situações ligadas à demora dos meios de emergência do INEM.

Quais os casos?

No Seixal, um homem de 78 anos ligou para o 112 depois de cair em casa, sentindo-se confuso e sonolento, e foi inicialmente classificado como prioridade 3, que prevê o acionamento de meios em até 60 minutos. Apesar disso, a ambulância só foi enviada quase três horas depois da primeira chamada, quando a vítima já se encontrava em paragem cardiorrespiratória. O Ministério Público abriu um inquérito e determinou a realização de autópsia médico-legal, enquanto a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) iniciou investigação sobre a resposta do INEM.

Na Quinta do Conde, em Sesimbra, uma mulher na casa dos 70 anos morreu depois de esperar 44 minutos por socorro. A assistência foi assegurada pelos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, a cerca de 35 km de distância, devido à indisponibilidade de meios mais próximos. Durante o percurso, a situação evoluiu de prioridade 3 para prioridade 2 e depois para prioridade 1, mas a vítima já se encontrava em paragem cardiorrespiratória à chegada da equipa de emergência médica.

Em Tavira, um homem de 68 anos morreu depois de estar mais de uma hora à espera de socorro. A primeira chamada para o 112 foi às 18h07, inicialmente classificada como prioridade 2, e a primeira ambulância foi acionada apenas às 18h42. A Viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) foi ativada às 18h49, mas os primeiros meios só chegaram mais de uma hora após a chamada inicial, quando a vítima já estava em paragem cardiorrespiratória.

Há falta de meios no terreno?

Perante a onda de críticas, o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, explicou que o alerta, no caso do Seixal, foi atendido dentro dos tempos normais pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), mas que não existiam ambulâncias disponíveis na Margem Sul no momento da ocorrência, uma vez que todos os meios estavam empenhados noutras emergências.

Segundo a direção do INEM, a escassez de recursos em determinados períodos resulta de uma combinação de fatores, incluindo a elevada procura, limitações operacionais e dificuldades na articulação com entidades parceiras, como bombeiros e Cruz Vermelha.

Luís Mendes Cabral rejeita ainda que o novo sistema de triagem seja responsável pelos atrasos ou pelos desfechos fatais conhecidos.

As mortes levaram à abertura de inquéritos por parte da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e do Ministério Público, com o objetivo de apurar eventuais falhas no sistema e responsabilidades individuais ou institucionais. Paralelamente, o presidente do INEM foi chamado ao Parlamento para prestar esclarecimentos aos deputados.

Que sistema de triagem é este?

Desde 2 de Janeiro, o INEM passou a aplicar um novo sistema de triagem, semelhante ao usado nas urgências hospitalares, que estabelece cinco níveis de prioridade, com tempos máximos de resposta associados:

  • Emergente (resposta imediata);
  • Muito urgente (até 18 minutos);
  • Urgente (até 60 minutos);
  • Pouco urgente (até 120 minutos);
  • Não urgente (não há envio de meios e a chamada é encaminhada para o SNS24).

Segundo o instituto, o objetivo é garantir uma utilização mais racional dos meios disponíveis, assegurando que as ambulâncias são enviadas para as situações clinicamente mais graves, com maior transparência para os utentes sobre a prioridade atribuída e o tempo expectável de resposta.

O que diz o Governo?

Montenegro expressou o seu profundo lamento pelas três mortes ocorridas em menos de 48 horas ligadas a atrasos no socorro do INEM e anunciou que o Governo vai reforçar os meios com a compra de 275 novas viaturas, incluindo ambulâncias e viaturas médicas de emergência, em investimento que descreveu como o maior da última década para o serviço de emergência médica.

O primeiro-ministro enquadrou as falhas do INEM como um problema crónico do sistema que o atual Governo herdou de execuções anteriores, garantindo que o reforço de veículos e meios é parte de uma resposta estrutural para melhorar a rapidez da resposta a emergências.

Ainda esta quinta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro falou sobre outros temas na saúde e respondeu a críticas da oposição sobre os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e das urgências hospitalares.

Luís Montenegro defendeu que a situação nas urgências está a ser resolvida paulatinamente, destacando melhorias nos tempos de espera.

“Face ao mesmo período do ano passado, o tempo de espera reduziu-se 30% nas pulseiras azuis e verdes, 18% na prioridade amarela, e 21% com prioridade laranja. Estamos paulatinamente a resolver do ponto de vista estrutural a situação e temos resultados para mostrar”, afirmou.

Frente às críticas e pedidos de demissões — incluindo pressões sobre a ministra da Saúde — Montenegro afirmou que “os problemas da Saúde não se resolvem com demissões ou jogadas políticas”, defendendo que a ministra vai continuar no Governo e que o foco deve ser resolver os problemas com “convicção, competência, resistência e resiliência”.

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