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De acordo com números citados pelo Politico, que integram o Pacote Semestral de Primavera Europeu, Bruxelas estima que a pressão dos preços da energia possa colocar em risco até 560 mil postos de trabalho em 2026. Os setores mais expostos incluem a construção, a metalurgia, a indústria química e os transportes.

A Comissão reviu igualmente as previsões para o desemprego na União Europeia. Depois de ter apontado, no outono passado, para uma taxa de desemprego de 5,9% em 2026 e de 5,8% em 2027, Bruxelas estima agora que o indicador se fixe nos 6% em ambos os anos.

O executivo comunitário prevê ainda um agravamento das contas públicas dos Estados-membros. O défice agregado dos 27 países da União Europeia deverá aumentar de 3,1% do PIB em 2025 para 3,5% em 2026 e 3,6% em 2027.

Entre os setores mais vulneráveis destaca-se a indústria automóvel europeia. A Comissão estima que cerca de 600 mil empregos estejam em risco devido à transição dos veículos com motor de combustão para tecnologias mais limpas e à crescente concorrência da China.

Também a indústria das baterias poderá ser afetada, com cerca de 85 mil postos de trabalho em risco. No setor do fabrico de painéis solares, as pressões de mercado poderão afetar quase 59 mil empregos, enquanto as medidas de descarbonização poderão ter impacto em cerca de 4.500 trabalhadores da siderurgia.

Apesar destes desafios, Bruxelas pretende centrar parte da sua estratégia na qualificação da mão de obra. Segundo dados da Comissão, 68% das empresas de média dimensão reportaram escassez de competências em 2023. Em 2024, 77% das empresas indicaram que a falta de trabalhadores qualificados constituía um obstáculo ao investimento.

Pela primeira vez, as recomendações do Semestre Europeu irão atribuir um papel central à educação, formação profissional, aprendizagem ao longo da vida, competências nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) e programas de requalificação profissional.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para as Competências, Roxana Mînzatu, defende que a competitividade europeia depende cada vez mais do investimento nas pessoas, considerando o capital humano um fator essencial para a inovação, a produtividade e a resiliência económica.

O documento alerta ainda para outros desafios sociais. Bruxelas considera que os agregados familiares de baixos rendimentos poderão ser particularmente afetados pelo aumento dos preços dos combustíveis para transportes, suportando custos adicionais equivalentes a cerca de 1,4% do rendimento. A Comissão assinala igualmente desigualdades persistentes no mercado de trabalho e refere que um em cada cinco trabalhadores continua empregado em setores de baixos salários e fraco crescimento da produtividade.

No âmbito do pacote que será apresentado esta quarta-feira, a Comissão Europeia deverá também manifestar preocupações sobre a situação financeira da Bulgária, após uma análise às políticas de despesa do país. Alemanha, Estónia, Letónia e Eslovénia foram igualmente avaliadas, mas não suscitaram, para já, objeções por parte de Bruxelas.

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