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Ted Turner, o visionário dos media que fundou a CNN e ajudou a transformar o jornalismo televisivo com a criação do primeiro canal de notícias 24 horas, morreu esta quarta-feira de forma tranquila, rodeado pela família, aos 87 anos.

A informação foi divulgada através de um comunicado da Turner Enterprises e avançada pela CNN, que assinala a morte do seu fundador como o fim de uma era no jornalismo televisivo global.

Nascido em Cincinnati, no estado norte-americano do Ohio, em 1938, Robert Edward “Ted” Turner III tornou-se uma das figuras mais influentes da indústria mediática do século XX. Empresário ousado, ganhou notoriedade pelo seu estilo direto e pela sua visão pouco convencional do setor, o que lhe valeu a alcunha de “The Mouth of the South”.

A sua carreira começou aos 24 anos, quando assumiu a empresa de publicidade exterior da família após a morte do pai. A partir daí, expandiu progressivamente os seus interesses para o setor dos media, adquirindo estações de rádio e, posteriormente, televisão. Em 1970, entrou no mundo televisivo ao comprar uma estação em dificuldades em Atlanta, que viria a tornar-se um ponto de partida para o seu império.

Turner viria a criar a primeira “superestação” da televisão por cabo, ao expandir o sinal de uma estação local através de satélite, permitindo a sua transmissão nacional. O sucesso deste modelo abriu caminho à criação de novos projetos e consolidou a sua posição como inovador na distribuição de conteúdos televisivos.

O grande marco da sua carreira surgiu a 1 de junho de 1980, com o lançamento da CNN, o primeiro canal de notícias 24 horas do mundo. A iniciativa, inicialmente vista com cepticismo, viria a transformar o consumo de informação a nível global, permitindo que o público acompanhasse acontecimentos em tempo real, sem interrupções.

Ao longo da década de 1980, Turner expandiu ainda o seu império mediático com o lançamento de canais como CNN2 (mais tarde Headline News), CNN International, TNT, TCM e Cartoon Network. O empresário também adquiriu um vasto arquivo cinematográfico da MGM, o que gerou controvérsia devido à colorização de filmes clássicos.

Apesar do sucesso, os primeiros anos da CNN foram marcados por dificuldades técnicas e críticas, com alguns comentadores a apelidar o canal de forma depreciativa. Ainda assim, Turner manteve-se firme na sua visão, acreditando no potencial de um canal informativo contínuo e global.

Para além dos media, Turner destacou-se como filantropo, tendo fundado a United Nations Foundation, e como ativista em prol do desarmamento nuclear. Foi também um dos maiores proprietários de terras dos Estados Unidos e desempenhou um papel na reintrodução do bisonte no oeste americano. Criou ainda a série de animação “Captain Planet”, dedicada à sensibilização ambiental.

Em 1996, vendeu o seu império mediático à Time Warner, mas manteve-se ligado ao setor como vice-presidente. Em 2003, afastou-se definitivamente da empresa. Apesar das mudanças na sua vida profissional e pessoal, manteve sempre a CNN como a sua maior realização, referindo-se a ela como o “maior feito” da sua vida.

Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde, incluindo o diagnóstico de demência por corpos de Lewy em 2018 e um internamento devido a pneumonia em 2025, do qual recuperou.

Ted Turner deixa cinco filhos, 14 netos e dois bisnetos.

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