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A operação foi iniciada pela Câmara Municipal de Loures a 14 de julho de 2025 e visava a demolição de 64 construções precárias onde viviam 161 pessoas. Parte da intervenção acabou por ser suspensa na sequência das ações judiciais interpostas por residentes.

Segundo o movimento Vida Justa, a autarquia recusa reconhecer o Talude Militar como um núcleo de habitação precária, o que, na sua perspetiva, evita a aplicação das obrigações de realojamento previstas na Lei de Bases da Habitação. O movimento considera ainda que as famílias permanecem sem soluções concretas e aponta o bairro como um reflexo da crise habitacional.

O presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, rejeita as críticas e defende que existe uma distinção entre as construções identificadas na Estratégia Local de Habitação, aprovada em 2021, e as barracas construídas posteriormente de forma ilegal. Segundo o autarca, as famílias abrangidas pela estratégia municipal estão incluídas nos programas de realojamento financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, estando prevista a entrega de cerca de 217 a 218 habitações até ao final do ano.

Ricardo Leão considera ainda preocupante que, passado um ano, os tribunais ainda não tenham decidido sobre as providências cautelares que suspenderam parte das demolições, garantindo que, caso a decisão seja favorável ao município, as construções em causa serão demolidas.

Entretanto, a autarquia mantém equipas de fiscalização, Polícia Municipal e serviços sociais no terreno para impedir o aparecimento de novas construções ilegais.

De acordo com a Câmara de Loures, 23 agregados familiares conseguiram autonomizar-se com apoio municipal após as demolições de 2025. Quatro famílias recorreram a alojamento de emergência em unidades hoteleiras ou centros de acolhimento e sete continuam a receber acompanhamento social. O município refere ainda ter atribuído 29.113 euros em apoios destinados ao pagamento de cauções, primeiras rendas e outras despesas relacionadas com a autonomização habitacional.

Sem uma decisão judicial definitiva, o futuro das famílias que permanecem no Talude Militar continua por definir, mantendo o diferendo entre a autarquia e o movimento Vida Justa sobre as políticas de habitação e de realojamento.

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