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O restaurante "Tágide" celebra, em 2026, 80 anos de história. Aberto originalmente como restaurante-boîte, o espaço acompanhou a evolução da restauração lisboeta ao longo de várias décadas, passando da animação noturna à alta gastronomia. Para assinalar a data, a casa lançou dois novos menus de degustação inspirados na cozinha portuguesa.

O "Tágide" abriu portas a 8 de dezembro de 1950, no então Largo da Biblioteca, em Lisboa. Entre os proprietários encontravam-se Campos Ferreira, comerciante de vinhos ligado ao chiado, e a atriz francesa Mireille Robert, que deu o nome ao restaurante. A designação inspira-se nos versos de Camões: "E vós, Tágides minhas, pois criado / tendes em mim um novo engenho ardente...".

Nas décadas de 1950 e 1960, o "Tágide" destacou-se como um dos principais espaços de diversão noturna da capital. A inauguração contou com um conjunto liderado pelo maestro Jorge Brandão, que viria a acompanhar artistas internacionais como Charles Aznavour, Gilbert Bécaud, George Ulmer, Jacqueline François, Paul Peri e Ana Maria González. Pelo palco passaram também nomes da música portuguesa, entre os quais Simone de Oliveira, Madalena Iglesias, Rui de Mascarenhas e Maria de Lourdes Resende.

O restaurante-boîte pertencia aos mesmos proprietários do "Palm Beach Club", espaço inaugurado em 1941, na Praia da Conceição, em Cascais, criado para oferecer uma alternativa ao "Casino Estoril" na vida noturna da região.

Em 1970 foi tomada a decisão de transformar o "Tágide" num restaurante, abandonando o conceito de boîte. Após obras de remodelação, concluídas em 1973, o espaço passou a dedicar-se exclusivamente à restauração. Nos anos seguintes recebeu uma Estrela Michelin, distinção que manteve entre 1981 e 1992, tornando-se o primeiro restaurante de Lisboa a alcançar esse reconhecimento.

Quando reabriu já no Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, o Tágide contava entre os seus sócios com o banqueiro Jorge de Brito, fundador do Banco Intercontinental Português (BIP), que permaneceu ligado ao projeto durante vários anos.

Em 2007, já sob a liderança de Suzana Barros de Brito, o restaurante foi alvo de uma nova remodelação, que preservou o património histórico do espaço, introduzindo ao mesmo tempo elementos contemporâneos, como um candeeiro desenhado por Tim Madeira.

"Tágide" em 2026, a união entre tradição e contemporaneidade

Para assinalar os 80 anos, o Tágide criou os menus de degustação "Camões" e "Tágide". Segundo Suzana Barros de Brito, à frente do restaurante há mais de um década e com um percuros ligado às artes, as propostas procuram refletir a identidade da casa através de uma cozinha de inspiração portuguesa, com uma abordagem contemporânea.

"Tentamos sempre manter uma linha com alguma portugalidade, sem fugir da nossa identidade. Trabalhamos sabores mais contemporâneos, mas sem perder a ligação à cozinha tradicional", afirma ao 24notícias.

Os menus de degustação foram introduzidos na primavera deste ano e têm um preço de 68 euros. Além da oferta à carta, a responsável explica que muitos clientes optam pela experiência de degustação, por reunir várias propostas do restaurante.

Atualmente, a maioria da clientela é composta por turistas estrangeiros e empresas, enquanto os clientes portugueses recorrem sobretudo ao restaurante para celebrar ocasiões especiais. Os eventos corporativos representam cerca de 40% da atividade.

Em 2012, o grupo abriu um novo espaço contíguo, hoje o Tágide Wine & Gastrobar, dedicado a cocktails e a uma cozinha mais "informal e irreverente". Suzana Barros de Brito tem também deixado a sua marca artística na casa, tendo concebido e produzido uma coleção de louça artesanal, incluindo uma peça inspirada em fósseis marinhos, criada para servir a entrada de vieira e caviar do restaurante. Neste momento o espaço faz também manhãs e noites de cerâmica, onde os clientes podem criar as suas próprias peças de barro que depois podem recolher.

Questionada pelo 24notícias sobre o futuro da restauração, Suzana Barros de Brito considera que os consumidores procuram cada vez mais autenticidade.

"As pessoas estão a cansar-se do que é fácil. Procuram produtos ligados à terra e à essência", refere.

Oitenta anos depois da inauguração, o Tágide encontra-se agora no renomeado Largo da Academia Belas Artes, com uma vista sobre o rio Tejo, preservando parte da decoração introduzida na década de 1970 e mantendo a ligação a uma história que começou como um dos espaços emblemáticos da vida noturna lisboeta.

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