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Em entrevista à SIC Notícias, a presidente da Câmara de Almada agradeceu aos "municípios vizinhos, que se têm disponibilizado com água nos camiões cisternas" e também à ministra, que segundo Medeiros, "veio perceber o que está a acontecer e o que nos levou a tomar decisões mais duras ontem".
Em relação aos furos não entrarem em funcionamento mais cedo, Medeiros explicou que "nós reunimos com a APA e a entidade reguladora. Se eu tenho duas entidades que respondem, é normal que não fale à ministra", afirmou.
"Os furos não foram pensados ontem. São furos que vão passar para o Seixal, mas há aqui um problema. Quando aquelas captações foram feitas, ainda não existia aquela zona, aquilo à 50/60 anos era Almada", explicou.
"A localização dos furos já está feita. Já temos um que já funciona e outro que vai entrar em funcionamento até ao final da semana. Mas, nós temos mais dois furos, que vão entrar funcionamento. Aqui, tenho de agradecer também à ministra", acrescentou.
"Quando o nosso furo do Seixal colapsou, e quando quisermos relocalizá-lo, o Seixal não quis. Esses impedimentos criaram um grande problema. Não acredito que tenho sido intencional", afirmou a presidente da Câmara de Almada. "A água que está no Seixal não lhe pertence, é um bem publico. Até agora, em 60 anos nunca se levantou essa questão, foi apenas no ano passado, quando houve o colapso. De imediato, Almada previu quatro novos furos".
"As pessoas precisam sempre da verdade. Eu só falo quando tenho um plano concreto e específico. Estivemos a fazer toda a avaliação do nosso sistema de contingência. Não é verdade que só agora que os SMAS começaram a reagir, isso é injusto. Não é verdade que só acordámos agora", atirou.
"O orçamento dos SMAS é de cerca de 40 milhões. A maior despesa é a manutenção. Nos últimos anos, os investimentos e a manutenção rondam os 50 milhões de euros.
"Sei a dificuldades que o almadenses estão a viver. Estas dificuldades dos últimos anos não têm nada com a deste ano. Não podemos ter pessoas com responsabilidade a misturar tudo. Este ano, nós temos um aumento de consumo estimado em 2%. E, o pico é em julho", elaborou.
"Este ano, o aumento foi muito cedo, foi constante, desde fevereiro. Hoje em dia, o consumo médio nacional de litros de água por pessoa, diáriamente, é de 180 litros. Em Almada é de 300 litros. O tempo normal de recuperação dos reservatórios não aconteceu. Em certas zonas, chegamos a ter cerca de 500 litros de água por pessoa por dia. É um evento extremo, que nos surpreende a todos. Temos de realçar a nota positiva que estamos todos a trabalhar em conjunto", explicou.
"O PRR não tinha fundos para a água, tinha era apenas para o Algarve e Alentejo. O PTRR tem zero previsto para a água", afirmou Inês de Medeiros, perante declarações da ministra.
"Temos de reduzir o consumo de água", pediu a presidente da Câmara. "Estamos a consumir demasiada água. Está a ser retirada mais água do sistema do que aquela que o sistema consegue bombear", finalizou Inês de Medeiros.
No dia de hoje, após reunião entre a ministra Maria da Graça Carvalho e a presidente da Câmara de Almada, a ministra revelou que há um furo pronto para entrar em funções no fim de semana e que estão a ser preparados outros. Maria da Graça Carvalho disse ainda que os custos destes furos "são relativamente baixos", com valores entre os 15 e os 20 mil euros.
A ministra com a tutela da Energia e do Ambiente, que prometeu "licenças imediatas" para a construção de furos, reforçou a necessidade de estabilizar o sistema e de reduzir os consumos ao essencial. Recordou ainda que, neste momento, gastam-se 300 litros diários por habitante em Almada, um valor superior à média de 180 litros por dia em Portugal.
Já Inês de Medeiros confirmou haver um "aumento substancial" do consumo de água no concelho. A autarca admitiu que o município está a averiguar a existência de puxadas ilegais, uma vez que se verificou que há agua a sair do sistema sem ser faturada.
A presidente da Câmara de Almada referiu que a autarquia "tem sido feito um esforço muito grande para reduzir as perdas de água" e que a subida do consumo não está relacionado com fugas.
Apontou o aumento da população como uma das causas para o alargamento dos consumos e reforçou que, além dos residentes, há mais pessoas a viver no concelho no verão. Sustentou esta afirmação com o pico de uso de água no concelho, que costuma acontecer na segunda quinzena de julho e que, este ano, começou em maio.
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