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Um militar de 20 anos relatou ter presenciado celebrações entre colegas depois de um ataque a um veículo palestiniano que resultou na morte de todos os ocupantes, acrescentando que episódios semelhantes se tornaram frequentes durante o período em que esteve destacado na região.
“Era uma selva”, disse o soldado à Associated Press. “Depois do cessar-fogo, a ordem foi: se alguém cruzar a linha, dispara”, acrescentou, referindo-se à chamada “linha amarela”, que separa áreas sob controlo israelita e palestiniano na Faixa de Gaza.
Segundo três soldados ouvidos pela agência norte-americana, a definição das regras de atuação no terreno tornou-se ambígua, com falta de clareza sobre o que constitui uma ameaça legítima. Alguns militares relataram ainda que determinados comandantes demonstravam apoio formal às orientações, mas em privado expressavam a vontade de que a guerra continuasse.
Os testemunhos indicam também situações em que decisões de fogo foram tomadas de forma rápida, em contextos de visibilidade reduzida ou grande distância dos alvos, dificultando a identificação precisa de quem estava a ser atingido.
Desde o início do cessar-fogo, mais de 900 pessoas terão morrido em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde local, muitas delas perto ou para lá da linha de separação.
O Exército israelita sustenta que a maioria dos mortos ao atravessar a linha representava uma ameaça direta às suas forças. No entanto, soldados citados pela Associated Press e pela organização Breaking the Silence, que recolhe testemunhos de militares sobre possíveis violações de direitos humanos, afirmam que, em várias situações, as tropas não dispunham de condições para avaliar corretamente os alvos devido à distância, ao ritmo das operações e à pressão no terreno.
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