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Segundo Andy Yeung, diretor dos Serviços de Bombeiros de Hong Kong, os primeiros socorristas verificaram que alguns alarmes de incêndio do complexo — que tinha muitos residentes idosos — “não dispararam quando testados”. Yeung não especificou quantos falharam ou se outros sistemas funcionaram corretamente.
O fogo propagou-se rapidamente de um edifício para outro porque o andaime de bambu, revestido com redes e painéis de espuma aparentemente instalados por uma empresa de construção, também ardeu, criando um efeito de rastilho que alimentou as chamas.
Na sexta-feira, foram detidos sete homens e uma mulher, com idades entre os 40 e os 63 anos, incluindo subempreiteiros de andaimes, diretores de uma empresa de consultoria de engenharia e gestores responsáveis pela supervisão das obras de renovação. A informação foi divulgada pela Comissão Independente Contra a Corrupção, em comunicado.
As equipas de resgate deram prioridade aos apartamentos de onde tinham recebido chamadas de emergência no dia do incêndio, mas aos quais não conseguiram aceder nas horas em que o fogo esteve descontrolado, explicou aos jornalistas Derek Armstrong Chan, subdiretor dos Serviços de Bombeiros, citado pela agência AP. Os bombeiros demoraram cerca de 24 horas a dominar o incêndio, que só ficou totalmente extinto na manhã de sexta-feira.
Dois dias depois do início do incêndio, fumo continuava a sair do esqueleto carbonizado das torres devido a pequenos reacendimentos.
Segundo o secretário para a Segurança, Chris Tang, “cerca de 200 pessoas permanecem desaparecidas”. Esse número inclui 89 corpos ainda por identificar. As autoridades admitem que poderão recuperar mais vítimas mortais, embora as equipas já tenham concluído a procura por sobreviventes.
Mais de 2.300 bombeiros e profissionais de saúde participaram na operação de socorro. Do total de 79 feridos, 12 são bombeiros. Um outro bombeiro morreu, como já havia sido confirmado anteriormente.
Katy Lo, 70 anos, residente no bloco Wang Fuk Court, não estava em casa quando o incêndio começou na quarta-feira. Regressou cerca de uma hora mais tarde e viu que o fogo já tinha atingido o seu edifício. “É a minha casa… Ainda não consigo acreditar no que aconteceu”, disse na sexta-feira, enquanto se inscrevia para receber apoio governamental. “Isto ainda parece um mau sonho.”
O complexo residencial é composto por oito edifícios de 31 pisos, situado no distrito de Tai Po, nos arredores de Hong Kong, perto da fronteira com a China continental. Construído na década de 1980, estava a passar por uma renovação de grande escala. Tinha quase 2.000 apartamentos e cerca de 4.800 residentes.
Na quinta-feira, três homens — diretores e um consultor de engenharia de uma empresa de construção — foram detidos por suspeitas de homicídio involuntário. A polícia afirmou que os responsáveis da empresa eram suspeitos de “negligência grosseira”.
As autoridades não identificaram formalmente a empresa envolvida, mas documentos publicados no site da associação de proprietários mostram que a Prestige Construction & Engineering Company era responsável pelas obras. A polícia apreendeu caixas de documentos nas instalações da empresa, onde na quinta-feira os telefones “tocavam sem resposta”.
Além das novas detenções, a agência anticorrupção realizou buscas nos escritórios dos suspeitos e apreendeu documentos e registos bancários.
As autoridades suspeitam que alguns dos materiais usados nas fachadas das torres não cumprem os requisitos de resistência ao fogo, o que terá permitido a propagação excecionalmente rápida das chamas.
A polícia encontrou painéis de espuma plástica altamente inflamáveis instalados junto das janelas em todos os andares da única torre que não foi afetada pelo incêndio. Acredita-se que foram colocados pela empresa de construção, embora o seu propósito não esteja claro.
As investigações preliminares mostram que o incêndio teve início na rede de andaimes num dos andares inferiores de uma das torres e espalhou-se rapidamente à medida que os painéis de espuma entravam em combustão, explicou o secretário para a Segurança. “O fogo incendiou os painéis de espuma, provocando o estilhaçar dos vidros e levando a uma rápida intensificação das chamas e à sua propagação para o interior dos edifícios”, afirmou Tang.
O governo anunciou a realização imediata de inspeções a todos os complexos habitacionais em obras de renovação significativa, para garantir que andaimes e materiais de construção cumprem as normas de segurança.
Este é o incêndio mais mortífero em Hong Kong em décadas. Em 1996, um fogo num edifício comercial em Kowloon matou 41 pessoas. Em 1948, um incêndio num armazém provocou 176 mortes, segundo o South China Morning Post.
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