Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A maioria dos europeus acredita que o sistema de pensões do seu país se tornará em "breve inacessível", mas considera também que o esquema atual não é generoso e não apoia opções de reformulação, como o aumento da idade da reforma, revela o jornal britânico The Guardian.
À medida que a população envelhece e a taxa de natalidade diminui, os sistemas de pensões estatais “pay as you go” da Europa, pilares do estado de bem-estar que sempre dependeram de trabalhadores a financiar as pensões dos reformados, estão "sob pressão crescente".
Com tentativas de reforma a enfrentar resistência em países como França, Alemanha, Espanha e Itália, um inquérito da YouGov realizado em seis países revela a dimensão do problema de opinião pública que os governos enfrentam.
Muitas pessoas reconhecem que os esquemas de pensões do estado estão em dificuldades: a maioria, entre 61% e 52% na Itália, França, Alemanha e Espanha, considerou já o seu sistema inacessível, assim como 45% dos inquiridos na Polónia. No Reino Unido, a percentagem foi de 32%.
A olhar para o futuro, o pessimismo aumenta, maiorias ou quase maiorias (49%-66%) nos seis países disseram acreditar que, quem tem agora 30 ou 40 anos , quando se reformar o sistema será incomportável.
Os reformados mostraram-se mais otimistas quanto à capacidade do seu país financiar o sistema de pensões. 62% dos pensionistas no Reino Unido consideraram que a pensão estatal é sustentável, contra apenas 27% dos não reformados.
Apesar de reconhecerem o custo insustentável, maiorias entre 53% e 83% em todos os países consideraram que o montante que os reformados recebem é demasiado baixo, sentimento ainda mais forte (72%-88%) entre os próprios pensionistas.
A maioria dos pensionistas europeus depende da pensão estatal para o rendimento de reforma e, em todos os seis países, maiorias dos trabalhadores, de 57% na Alemanha e Reino Unido a 72% em Itália, não estavam confiantes de que terão uma reforma confortável.
Europeus rejeitam aumentar a idade da reforma, mas apoiam impostos aos mais ricos
O inquérito revelou oposição em todos os seis países às ideias de aumentar a idade da reforma, aumentar impostos sobre pessoas em idade ativa, obrigar filhos a sustentar pais reformados ou reduzir o valor das pensões estatais.
A resistência ao aumento da idade da reforma foi forte, com maiorias ou quase maiorias de 47% em França a 65% na Alemanha contra a ideia de esperar mais tempo para receber a pensão.
Percentagens entre 20% no Reino Unido e 38% na Polónia consideraram que a idade da reforma deveria ser nos 60 anos, enquanto 22% (Itália) a 45% (Reino Unido) consideraram 65 anos. Em França, uma pluralidade de 22% apontou 62 anos, a idade atual, depois de um aumento planeado para 64 anos ter sido suspenso.
A oposição à redução do valor das pensões foi ainda mais elevada, variando entre 81% na Alemanha e 61% em Itália. Houve, contudo, algum apoio para obrigar legalmente os trabalhadores a contribuir para uma pensão privada ou de empresa, mais popular no Reino Unido (57%), mas com apoio significativo na Alemanha (49%) e França (41%).
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz aconselhou os jovens a deixarem de depender exclusivamente do sistema público de pensões e a começarem, desde já, a investir regularmente em ações.
A ideia de que o Estado deve apoiar trabalhadores mais velhos para permanecerem no emprego em vez de se reformarem também teve apoio relevante, entre 57% na Polónia, 42% na Alemanha e França, e 27% em Itália.
Os italianos destacaram-se nas medidas que aumentam o encargo sobre os mais ricos: 66% apoiaram impostos mais altos para pensionistas com maiores rendimentos, para financiar melhores pensões aos mais pobres, e 52% apoiaram negar pensão estatal a reformados de altos rendimentos.
Em todos os seis países, mais pessoas (28%-55%) consideraram que os reformados com pensões acima da média deveriam contribuir mais para financiar pensões mais generosas para pensionistas de baixos rendimentos, em vez das gerações mais jovens (15%-31%).
Em Portugal
Segundo o relatório “Pensions at a Glance 2025”, da OCDE, a despesa com pensões representa atualmente 27,3% da despesa pública total.
Dados do Banco de Portugal indicam ainda que cerca de 10% dos pensionistas continua a trabalhar, seja por opção ou por necessidade económica.
A idade legal de acesso à reforma vai aumentar para os 66 anos e 11 meses em 2027, segundo uma portaria do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social publicada esta segunda-feira, dia 29 de dezembro, em Diário da República.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários