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O novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia, criado para modernizar o controlo das fronteiras externas do espaço Schengen, tem enfrentado vários problemas desde a sua entrada em funcionamento em abril de 2026, em Portugal são amplamente criticados e divulgados vídeos das longas filas e as queixas dos passageiros que ficam horas para entrar ou sair do país têm-se feito ouvir.

O objetivo do sistema é substituir os tradicionais carimbos nos passaportes por um registo digital centralizado, utilizando dados biométricos, como reconhecimento facial e impressões digitais, para identificar automaticamente os viajantes. No entanto, a implementação tem sido marcada por atrasos, dificuldades técnicas e longas filas nas fronteiras, levando a Comissão Europeia a admitir que ainda existem “problemas técnicos” por resolver e que o sistema necessita de melhorias. Ainda esta manhã o 24notícias dava conta que o novo sistema de fronteiras da UE triplica tempo de espera.

Agora, o Politico partilha dos casos mais invulgares envolveu duas irmãs gémeas britânicas idênticas. Uma das mulheres foi interrogada pelas autoridades fronteiriças romenas quando tentava regressar ao Reino Unido a partir de Cluj-Napoca, depois de o sistema indicar que teria permanecido ilegalmente no espaço Schengen. O problema surgiu porque o EES registava uma entrada numa visita anterior a Amesterdão, em abril de 2026, mas essa viagem tinha sido realizada pela sua irmã gémea. Apesar de nunca ter estado nos Países Baixos nessa data, a mulher foi confrontada pelas autoridades, que chegaram inicialmente a suspeitar que tivesse emprestado o passaporte à irmã.

A confusão terá acontecido porque o sistema identificou semelhanças entre as duas mulheres através do reconhecimento facial. Como gémeas idênticas, tinham vários elementos coincidentes nos dados pessoais, como o apelido, a data de nascimento e a nacionalidade. No entanto, tinham impressões digitais diferentes, nomes próprios diferentes e passaportes próprios, informações que deveriam permitir uma distinção clara entre ambas.

Segundo especialistas em política de cibersegurança dizem ao Politico, o incidente poderá ter sido causado por dois problemas em simultâneo: por um lado, um possível erro no registo da saída da irmã em Amesterdão, numa altura em que o EES ainda estava numa fase inicial de funcionamento; por outro, uma falha das autoridades romenas, que terão confiado demasiado na imagem facial e não confirmado corretamente outros elementos de identificação. De acordo com as regras do sistema, a identificação de um viajante não deve basear-se apenas no reconhecimento facial, devendo ser confirmada através de dados como impressões digitais e informações do passaporte.

A Polícia de Fronteiras da Roménia realizou uma investigação interna e afirmou que o sistema EES estava a funcionar corretamente, mas admitiu que os funcionários envolvidos não seguiram os procedimentos adequados. Os dados foram posteriormente corrigidos e foram dadas novas instruções aos agentes responsáveis pelo controlo fronteiriço. As autoridades classificaram o caso como um incidente isolado e não como uma falha geral do sistema.

A Comissão Europeia recusou comentar diretamente o caso, mas explicou que a responsabilidade pelos dados introduzidos no EES pertence aos Estados-Membros. Indicou também que qualquer viajante que detete erros nos seus registos tem o direito de solicitar a correção das informações pessoais junto das autoridades competentes.

O impacto do EES tem sido particularmente significativo para os cidadãos britânicos, devido ao Brexit. Como o Reino Unido deixou de fazer parte da União Europeia, os seus cidadãos passaram a ser tratados como viajantes de países terceiros e estão sujeitos aos novos controlos biométricos quando entram no espaço Schengen. Esta situação é especialmente relevante porque milhões de britânicos viajam anualmente para países da União Europeia. Para reduzir possíveis atrasos, o Governo britânico anunciou um investimento de cerca de 30,5 milhões de libras para aumentar a capacidade dos portos, estações ferroviárias e outros pontos de entrada internacionais.

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