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“O último valor que vi no levantamento chegava quase aos 500 milhões de euros. É declarativo e ainda precisa de ser verificado, mas ainda não estamos nessa fase. Ninguém se candidatou a nada”, afirmou à Lusa o secretário-geral da CAP, Luís Mira.

Segundo a confederação, passadas cerca de seis semanas desde a passagem do “comboio” de tempestades que afetou o país, o Governo ainda não lançou um apoio específico para o setor agrícola. Até agora, os agricultores apenas puderam recorrer ao apoio extraordinário de até 10.000 euros por candidato, disponível nos concelhos declarados em situação de calamidade.

“Não há sequer apresentação de candidaturas para apoios. Foi feito um levantamento, mas não há prazos, montantes ou regras”, acrescentou Luís Mira.

Em fevereiro, o Ministério da Agricultura indicou que tinham sido apresentadas 4.208 declarações de prejuízo, num total de 303 milhões de euros. O ministério, liderado por José Manuel Fernandes, tinha anunciado em janeiro a abertura de uma medida de restabelecimento do potencial produtivo, destinada a investimentos entre 5.000 e 400.000 euros, com taxa de apoio até 100% e máximo de 10.000 euros.

Os temporais, decorridos entre 28 de janeiro e meados de fevereiro, provocaram a morte de pelo menos 19 pessoas e ferimentos a várias centenas, além de desalojados e deslocados. Foram registadas destruições totais ou parciais de milhares de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos avaliados em milhares de milhões de euros. As regiões mais afetadas foram o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo.

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