A acusação foi apresentada pela polícia e pela Comissão Independente contra a Corrupção e inclui crimes como homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.
Os arguidos desempenhavam diferentes funções no projeto de renovação do complexo Wang Fuk Court, situado no distrito suburbano de Tai Po, no norte do território. Entre eles estão dirigentes e inspetores de uma empresa de consultoria envolvida nas obras, bem como o empreiteiro principal do projeto.
O incêndio, considerado o mais mortífero em Hong Kong desde 1948, deflagrou a 26 de novembro e devastou sete das oito torres de habitação do complexo, deixando centenas de vítimas e milhares de desalojados. As torres encontravam-se em obras, cobertas por andaimes de bambu, redes de proteção não resistentes ao fogo e painéis de espuma, materiais que poderão ter contribuído para a rápida propagação das chamas.
As investigações prolongaram-se por vários meses. Em março, a polícia já tinha detido 38 pessoas relacionadas com o caso, das quais nove foram formalmente acusadas. No mesmo período, a agência anticorrupção anunciou a detenção de outras 23 pessoas por suspeitas de suborno e conluio para defraudar.
As audiências públicas da comissão de inquérito independente revelaram que quase todas as medidas de segurança contra incêndios falharam devido a erros humanos. O procurador-geral, Victor Dawes, indicou que os alarmes de incêndio de sete das oito torres estavam desativados no momento do fogo, o que atrasou significativamente a evacuação dos residentes.
A comissão concluiu ainda que a causa mais provável do incêndio esteve relacionada com o hábito de trabalhadores fumarem sobre os andaimes. Na sequência dessas conclusões, o Governo está a ponderar proibir o consumo de tabaco em zonas onde decorram trabalhos de manutenção, reparação ou ampliação, para evitar tragédias semelhantes no futuro.
Milhares de residentes perderam as suas casas e continuam a ser apoiados através de soluções de alojamento temporário.
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