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A série, intitulada Des Vivants (Os Vivos), estreou em antecipação do décimo aniversário da vaga de atentados que matou 130 pessoas e feriu mais de 490, em novembro de 2015.

Segundo Lestrade, a escolha do local surgiu a pedido dos sobreviventes cujas histórias dão corpo à série. “Os reféns queriam que o seu terrível sofrimento fosse recriado dentro do edifício. Filmá-lo noutro sítio seria enganar o espectador e os próprios sobreviventes”, afirmou o realizador em declarações ao The Guardian.

Com oito episódios, a série acompanha sete homens e mulheres enquanto tentam reconstruir as suas vidas após terem estado sob o terror dos atacantes, que os obrigaram a assistir a mortes e ameaçaram disparar caso se movessem.

A produção utiliza atores para narrar estas histórias reais e o próprio Lestrade sublinhou que os protagonistas foram alguns dos únicos sobreviventes a ter contacto direto, visual e verbal com os terroristas. “Estamos a fazer ficção tão próxima das experiências reais que filmar noutro lugar seria um engano. Não faria sentido”, defendeu.

Lestrade minimizou as críticas como uma polémica “surpreendente e estúpida”. Sublinhou que apenas oito minutos da série se passam dentro do Bataclan e que o objetivo foi permitir ao público compreender, mesmo que por breves momentos, a realidade do local e a experiência dos sobreviventes.

Apesar da defesa do realizador, a decisão de filmar no Bataclan gerou polémica. Arthur Dénouveaux, presidente da associação Life for Paris, que representa vários sobreviventes, criticou a opção: “Algumas pessoas consideram indecente reconstruir a cena da tragédia onde sofreram e onde perderam familiares. Isto confundiu a fronteira entre ficção e realidade e perturbou sobreviventes e famílias enlutadas”, declarou.

Dénouveaux, que sobreviveu ao ataque e ajudou elementos da banda Eagles of Death Metal a escapar, afirmou ainda que não pretende ver a série: “Não quero contaminar as minhas memórias com ficção. Alguns membros da associação que viram parte acharam bem feita, mas prefiro não assistir.”

O ataque ao Bataclan ocorreu a 13 de novembro de 2015, quando três homens armados reivindicaram lealdade ao Estado Islâmico e invadiram o concerto da banda americana Eagles of Death Metal. Onze pessoas foram feitas reféns numa varanda do primeiro andar, sob ameaça de morte. Desde então, os sete sobreviventes que deram origem à série encontraram-se regularmente e chamam-se entre si “les potages”, combinação das palavras francesas pote (amigo) e otages (reféns).

A produção enfrentou dificuldades na autorização para filmar no teatro e só obteve o consentimento da administração do Bataclan após os sobreviventes enviarem uma carta conjunta. Lestrade justificou a escolha do local: “Pus-me no lugar das vítimas e perguntei se aceitava que a ficção fosse feita aqui. Não foi uma decisão fácil, mas contávamos a história precisa destes sobreviventes.”

Para Philippe Duperron, presidente da associação de vítimas 13onze15 e pai de uma vítima do Bataclan, a reação da comunidade foi mista. “Alguns sobreviventes estão incomodados com a filmagem no Bataclan, mas se fosse noutro lugar outros estariam igualmente perturbados. Filmá-lo aqui não me causa dor ou prazer especial. Perdi o meu filho; nada mudará isso. A vida continua”, disse.

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