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Investigadores da Universidade do Colorado Anschutz publicaram um estudo de prova de conceito na revista Fertility and Sterility que indica que a semaglutida injetável poderá trazer benefícios reprodutivos relevantes para mulheres com PMOS.

Segundo os investigadores, trata-se do primeiro estudo a analisar de que forma este tratamento pode melhorar os resultados reprodutivos nesta população, enquanto atua também sobre a obesidade e a disfunção metabólica.

A investigação avaliou participantes do ensaio clínico RESTORE, liderado pela Universidade do Colorado Anschutz, que está a estudar o papel da semaglutida na restauração da ovulação e na melhoria da saúde reprodutiva de adolescentes e adultas com PMOS.

De acordo com Melanie Cree, professora na Universidade do Colorado Anschutz e primeira autora do estudo, as mulheres com PMOS enfrentam frequentemente a escolha entre tratamentos dirigidos aos sintomas reprodutivos e terapias focadas na saúde metabólica. Os resultados preliminares sugerem que a semaglutida injetável poderá ter potencial para melhorar ambas as vertentes, oferecendo uma abordagem mais abrangente.

A PMOS é uma doença endócrina e metabólica complexa, caracterizada por ciclos menstruais irregulares, níveis elevados de testosterona, risco de infertilidade e maior prevalência de obesidade e doença cardiometabólica. Os tratamentos atualmente disponíveis, como a metformina e os contracetivos hormonais, nem sempre conseguem responder, em simultâneo, às complicações reprodutivas e metabólicas.

A análise preliminar incidiu sobre um grupo de participantes entre os 12 e os 35 anos que perderam pelo menos 10% do peso corporal durante o tratamento, um valor promissor. Os investigadores afirmam que as melhorias ao nível da função reprodutiva surgiram mais cedo do que o esperado, o que motivou a divulgação destes resultados antes da conclusão do ensaio clínico.

Melanie Cree sublinha ainda que o estudo é particularmente relevante por se centrar especificamente em mulheres com PMOS tratadas com semaglutida injetável. Apesar do impacto que os medicamentos da classe GLP-1 tiveram no tratamento da obesidade, a investigadora considera que continuam a ser necessários dados robustos sobre os seus efeitos na fertilidade e na função reprodutiva desta população.

O ensaio RESTORE continua em curso e a recrutar participantes para avaliar se a perda de peso e as melhorias metabólicas proporcionadas pela semaglutida conseguem restaurar a ovulação e melhorar os resultados reprodutivos em raparigas e mulheres com PMOS e obesidade.

Apesar dos resultados, serão necessários estudos de maior dimensão e com acompanhamento mais prolongado para confirmar a duração dos benefícios reprodutivos observados.

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