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Segundo uma análise publicada pelo Politico, o chefe do governo israelita não esconde que um cenário de instabilidade interna no Irão poderá servir os interesses de Israel, mesmo que não conduza à queda imediata do regime.
Há anos que Netanyahu tem sido um dos principais impulsionadores de ações militares e de sabotagem contra o programa nuclear da República Islâmica do Irão. Com a morte de Khamenei, o líder israelita aproxima-se do que considera ser um objetivo político central: neutralizar a ameaça iraniana.
Nos últimos dias, Netanyahu apelou aos iranianos para que aproveitem o que classificou como uma “oportunidade única numa geração” para se libertarem da “tirania” e saírem à rua em massa. Também o presidente norte-americano, Donald Trump, tem defendido que este é o momento para os iranianos “recuperarem” o seu país.
Ainda assim, a estratégia parece depender em grande medida da capacidade de mobilização popular dentro do Irão. A expectativa é que milhões de iranianos enfrentem o aparelho de segurança do regime, sem que exista uma alternativa política clara à teocracia.
De acordo com o conselheiro de política externa de Netanyahu, Ophir Falk, o objetivo da guerra é simples: “vencer”. Numa troca de mensagens citada pelo Politico, acrescentou que a vitória significará a eliminação da ameaça representada pelo regime dos aiatolás e pelos seus aliados regionais.
Por outro lado, a instabilidade também pode ser vista por Israel como um resultado favorável. A lógica é que um país consumido por conflitos internos, mesmo uma guerra civil, terá menos capacidade para coordenar ações contra Israel ou apoiar grupos aliados como o Hezbollah no Líbano ou os Houthis no Iémen. Se o Irão ficar demasiado fragilizado para prosseguir o enriquecimento de urânio ou financiar milícias na região, isso poderá ser considerado uma vitória estratégica.
O ex-primeiro-ministro israelita Ehud Olmert mostrou-se cético quanto à existência de um verdadeiro plano. Em declarações ao Politico, afirmou não ver uma estratégia concreta para o “dia seguinte”, mas apenas a esperança de que o regime colapse.
A experiência de intervenções anteriores no Médio Oriente é evocada como sinal de alerta. Antes da invasão do Iraque em 2003, o então secretário de Estado norte-americano Colin Powell advertiu que quem derruba um regime acaba por assumir a responsabilidade pelo país. Segundo a análise, nem Netanyahu nem Trump parecem considerar que essa responsabilidade lhes possa caber, defendendo que o futuro pertence agora ao povo iraniano.
Entretanto, sinais de resiliência continuam a emergir em Teerão. A televisão pública israelita Kan noticiou que Netanyahu terá dito aos ministros que a morte de Khamenei poderá encurtar a operação militar, ao incentivar opositores internos a agir. No entanto, o aparelho político e militar iraniano mantém-se funcional.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, garantiu que estavam preparados para este cenário e que existem planos para todos os desfechos possíveis. Foi anunciado que um conselho interino de três membros, incluindo o Presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do poder judicial Gholamhossein Mohseni Ejei e Alireza Arafi, assumirá funções enquanto a Assembleia de Peritos escolhe um novo líder supremo.
Ao mesmo tempo, os Guardas Revolucionários prometeram vingança e anunciaram novas fases de operações militares contra bases norte-americanas no Médio Oriente e contra Israel, sinalizando que a estrutura do regime permanece operacional.
Especialistas alertam para os riscos de apostar numa mudança interna sem uma oposição unificada e organizada. Embora exista descontentamento popular generalizado, a repressão e a fragmentação dificultam a transformação dessa insatisfação numa alternativa política coesa.
Entre os potenciais protagonistas de um eventual período pós-regime surgem nomes como Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, que se apresenta como possível líder interino rumo à democracia, e a organização Mujahedin-e Khalq, antiga oposição armada.
Para alguns analistas, a maior ameaça poderá ser um conflito prolongado, sem mudança interna significativa e sem um mecanismo claro de encerramento, abrindo caminho a um período de instabilidade regional de consequências imprevisíveis.
A eventual queda do regime iraniano permanece, assim, incerta. Para Netanyahu, contudo, a desestabilização de um adversário estratégico poderá já constituir, por si só, um resultado satisfatório.
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