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Quase nove em cada dez investigações sobre alegações de crimes de guerra ou abusos cometidos pelos soldados israelitas desde o início da guerra em Gaza foram encerradas sem que se encontrassem culpados ou deixadas por resolver, de acordo com um monitor de conflitos, revela este domingo do The Guardian.

As investigações não resolvidas incluem o assassinato de pelo menos 112 palestinianos em fila para comprar farinha na Cidade de Gaza em Fevereiro de 2024, informou a Acção contra a Violência Armada (AOAV), e um ataque aéreo que matou 45 pessoas num incêndio num acampamento em Rafah em Maio de 2024.

Iain Overton e Lucas Tsantzouris, da equipa da AOAV, afirmaram que as estatísticas sugerem que Israel procura criar um "padrão de impunidade" ao não concluir ou não encontrar culpados na grande maioria dos casos que envolvem "as acusações mais graves ou públicas de irregularidades cometidas pelas suas forças".

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A AOAV afirmou ter encontrado relatos de 52 casos nos meios de comunicação social em língua inglesa em que o exército israelita afirmou ter conduzido ou iria conduzir uma investigação após alegações de danos ou irregularidades contra civis por parte das suas forças em Gaza ou na Cisjordânia entre outubro de 2023 e o final de junho de 2025. Estes casos envolvem a morte de 1303 palestinianos e o ferimento de 1.880.

Um caso resultou na pena de prisão de um soldado israelita. Um reservista das Forças de Defesa de Israel (IDF) recebeu uma pena de sete meses de prisão em Fevereiro, depois de ter sido condenado por um tribunal militar por abusos agravado de detidos palestinianos.

Cinco outros casos terminaram com violações encontradas. Num deles, um coronel e um major das FDI foram demitidos em abril de 2024 e três outros comandantes foram repreendidos poucos dias depois de sete trabalhadores humanitários da World Central Kitchen terem sido mortos num ataque aéreo.

Dos restantes 46 casos, representando 88% do total, sete foram encerrados sem qualquer constatação de culpa, informou a AOAV. Outros 39 permanecem em análise ou sem resultado reportado, incluindo quatro incidentes fatais ao longo do mês passado, quando palestinianos foram mortos perto ou em vários pontos de distribuição de alimentos na Faixa de Gaza.