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“É tempo de defender o interesse de longo prazo, mesmo quando o ciclo eleitoral nos empurra para o curto prazo”, afirmou, sublinhando que o país deve assumir decisões difíceis sem ceder a lógicas de curto prazo ou populismo.
No discurso proferido nas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Seguro defendeu que este é “um tempo que nos pede coragem de fazer escolhas difíceis, sem ceder ao populismo”, insistindo na importância de um debate político assente no respeito e na responsabilidade democrática.
O chefe de Estado alertou ainda para problemas estruturais da economia portuguesa, apontando os baixos salários e a crise da habitação como fatores de pressão crescente sobre as famílias.
Seguro criticou aquilo que classificou como uma “habitação inacessível” que está a comprometer os orçamentos familiares e defendeu que o Estado e as empresas devem reconhecer melhor a qualificação e a inovação no mercado de trabalho.
“Basta de ladaínhas. Não podemos ficar à espera de milagres”, afirmou, exigindo respostas concretas para problemas que considera persistentes.
Ao longo do discurso, o Presidente defendeu uma postura de maior transparência política e social, sublinhando a necessidade de “dizer a verdade, mesmo quando é difícil”.
Para Seguro, o país vive um momento que exige escolhas claras e realistas, sem ilusões sobre soluções rápidas para problemas estruturais.
O Presidente da República aproveitou também a ocasião para reforçar a importância do pluralismo político, afirmando que “não haverá democracia sem partidos” e que o espaço político deve ser um lugar de confronto, mas também de compromisso e respeito.
“Não significa uma unanimidade indesejada”, afirmou, referindo-se ao sentido de unidade nacional que disse ter resultado da sua reeleição.
Seguro alertou ainda para o aumento da polarização na sociedade, defendendo o que chamou de “palavras do meio” como forma de promover o diálogo e a convivência democrática.
“São o antídoto para o vírus da polarização, que tende a substituir o debate”, afirmou.
Defesa da autonomia estratégica e do papel internacional de Portugal
No plano internacional, o Presidente sublinhou a importância da posição geoestratégica de Portugal, destacando o papel dos Açores como ponte entre a Europa e a América.
Defendeu uma política externa assente na cooperação com aliados, mas baseada numa “relação de equilíbrio e respeito mútuo”, rejeitando qualquer forma de isolamento.
“A autonomia não significa isolamento, significa liberdade de decisão e responsabilidade”, afirmou, acrescentando que a autonomia estratégica europeia é compatível com a NATO, considerada “pilar fundamental” da segurança internacional.
No encerramento, Seguro sublinhou ainda o papel das Forças Armadas como garante da soberania nacional e da integridade territorial, num discurso marcado pelo apelo à estabilidade, responsabilidade política e visão de longo prazo.
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