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De acordo com o The Guardian, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, foi alvo de fortes críticas após ter relacionado a imigração com as celebrações do Dia D, realizadas no sábado no noroeste de França.
Durante a cerimónia que assinalou o 82.º aniversário dos desembarques aliados na Normandia, realizada no cemitério militar norte-americano de Colleville-sur-Mer, Hegseth afirmou que a Europa enfrenta atualmente uma “invasão” diferente daquela que marcou a Segunda Guerra Mundial. No discurso, referiu que praias de países como Espanha, Itália, Grécia e Bulgária recebem embarcações com migrantes e questionou quando as capitais europeias irão atuar perante essa situação.
O governante norte-americano defendeu ainda que os militares que combateram e morreram na Normandia restauraram a liberdade na Europa, acrescentando que essa liberdade deve ser preservada pela atual geração de líderes e combatentes.
As declarações provocaram uma rápida reação nas redes sociais. O historiador, autor e apresentador britânico Simon Schama classificou as palavras de Hegseth como uma forma particular de repugnância, combinando, segundo escreveu, surdez histórica, “estupidez grotesca” e uma importância pessoal exagerada. Schama criticou ainda a comparação entre o debate sobre imigração e a luta contra o regime nazi.
Também o advogado israelita de direitos humanos Daniel Seidemann condenou o discurso, considerando que representava uma profanação da memória daqueles que desembarcaram nas praias da Normandia e, em particular, dos que perderam a vida durante a operação.
Por sua vez, o economista sueco Anders Åslund contrapôs as críticas de Hegseth à imigração às suas posteriores declarações de apoio aos aliados dos Estados Unidos. Para Åslund, as observações do secretário da Defesa foram incoerentes, defendendo que as políticas migratórias constituem assuntos internos dos países europeus. Considerou ainda que os comentários revelavam falta de noção, sobretudo tendo em conta a ausência de Hegseth numa reunião importante da NATO e as promessas do presidente norte-americano de reduzir a presença militar dos EUA na Europa.
A insistência de Hegseth na questão migratória acompanha posições assumidas por outros responsáveis da administração norte-americana, incluindo o presidente Donald Trump, que têm criticado repetidamente o impacto da imigração na Europa.
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