De acordo com o ICMPD, a guerra na Ucrânia continua a ser o conflito com maior impacto nas deslocações de pessoas no continente europeu. No entanto, os analistas sublinham que as dinâmicas migratórias da Europa serão influenciadas sobretudo por quatro países-chave: Ucrânia, Venezuela, Síria e Afeganistão.

“O histórico demonstra que conflitos prolongados estão associados a níveis elevados e sustentados de deslocação”, refere o relatório, destacando que 2025 registou um pico histórico de conflitos globais. Segundo o Índice Global da Paz, estavam activos 59 conflitos entre Estados em todo o mundo, o número mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial.

O ICMPD considera que o contexto internacional apresenta “poucas perspetivas de alívio” em 2026, salientando que os conflitos são cada vez mais longos e internacionalizados, num cenário marcado pela fragmentação geopolítica e pela rivalidade entre grandes potências.

Apesar deste quadro, o organismo observa que os pedidos de asilo e as chegadas irregulares à União Europeia diminuíram cerca de 25% nos últimos dois anos. Esta redução é atribuída ao reforço dos controlos migratórios por parte dos Estados europeus e dos seus parceiros, tendência que deverá intensificar-se com a aplicação do novo Pacto Migratório da UE, a partir de Junho.

Segundo o relatório, a implementação do pacto irá absorver grande parte da capacidade dos Estados-membros ao longo de 2026 e reforçar a cooperação com países vizinhos, com especial enfoque no aumento dos regressos de migrantes em situação irregular.

O ICMPD destaca ainda que, em 2025, vários governos europeus retomaram, pela primeira vez em muitos anos, o regresso de migrantes à Síria e ao Afeganistão, ao abrigo de acordos com as autoridades desses países. Embora estas operações tenham abrangido grupos reduzidos, sobretudo criminosos condenados, o centro considera que esta evolução revela uma nova tendência na política migratória europeia.

“Isto demonstra que os objectivos da política migratória estão a sobrepor-se às preocupações com o regime democrático”, sublinha o ICMPD, que prevê uma intensificação das operações de regresso nos próximos anos.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração, organização intergovernamental com sede em Viena e da qual Portugal faz parte, tem como missão apoiar a cooperação internacional em matéria de asilo e imigração, promovendo análises e recomendações focadas no controlo dos fluxos migratórios, no combate à imigração irregular e no desenvolvimento de vias legais e seguras de migração.