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Com a chegada do verão, regressam também os almoços de peixe grelhado à beira-mar e o tradicional pão com sardinha dos Santos Populares. E os números mostram que os portugueses continuam a ser grandes consumidores de peixe: segundo o World Population Review, que reúne dados das Nações Unidas e de censos nacionais, Portugal foi, em 2023, o oitavo país do mundo com maior consumo de peixe e marisco, com mais de 53 quilos per capita por ano.
Entre os peixes mais consumidos, e também aqueles com mais espinhas, estão a Sardinha, o Carapau, a Pescada e o Robalo. Por isso, engolir uma espinha é um acidente comum, especialmente, nos próximos meses. Mas será que comer pão ajuda realmente a resolver o problema?
O 24notícias falou com o médico de clínica geral António Hipólito de Aguiar, que explica que este é um dos “remédios caseiros” mais conhecidos, embora a eficácia esteja longe de ser garantida.
“A ideia por trás deste hábito é simples: o pão, sobretudo quando mastigado até formar uma massa macia, pode envolver a espinha e ajudá-la a descer até ao estômago”, refere o especialista.
Em situações ligeiras, sobretudo quando a espinha é pequena e está apenas superficialmente presa, o método pode aliviar o desconforto. Ainda assim, do ponto de vista médico, existem limitações importantes.
As espinhas de peixe são finas, rígidas e pontiagudas, podendo ficar presas na mucosa da garganta, especialmente nas amígdalas ou na base da língua. Nestes casos, engolir pão ou outros alimentos pode não só falhar, como empurrar a espinha mais profundamente e provocar pequenas lesões.
Segundo António Hipólito de Aguiar, não existe "evidência científica robusta" que recomende o pão como um tratamento seguro ou eficaz. “Na realidade, é mais uma prática empírica do que uma intervenção comprovada”, sublinha.
O risco aumenta quando a espinha fica alojada no esófago, é maior ou provoca sintomas persistentes, como dor, dificuldade em engolir, sensação de algo preso, tosse ou até sangue. Nessas situações, tentar “empurrar” a espinha com comida pode agravar o problema.
A recomendação médica é procurar observação profissional sempre que o "desconforto não desapareça rapidamente ou existam sintomas mais intensos". Em alguns casos, pode ser necessário remover a espinha com instrumentos adequados.
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