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Nos últimos dez anos, os apostadores em jogos sociais em Portugal deixaram por reclamar cerca de 107,3 milhões de euros em prémios, segundo dados da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), entidade responsável pela gestão destes jogos, segundo notícia do Público.

Este valor resulta de prémios ganhos que não foram levantados dentro do prazo legal de 90 dias. Após esse período, os prémios caducam automaticamente e o dinheiro reverte para a própria SCML, sendo contabilizado como receita da instituição.

O fenómeno repete-se todos os anos e envolve vários jogos, como o Euromilhões, a “raspadinha”, o Totoloto, o Placard e o Eurodreams. As razões apontadas incluem sobretudo o esquecimento dos jogadores em verificar boletins, a perda de apostas físicas ou a falta de conferência dos resultados dentro do prazo.

Em termos anuais, os valores variam, mas mantêm-se elevados. O ano de 2018 foi o que registou o maior montante de prémios não reclamados, com 16,4 milhões de euros. Em contraste, o valor mais baixo da década ocorreu em 2023, com cerca de 7,2 milhões. No último ano analisado, 2025, ficaram por reclamar 12,2 milhões de euros.

Os prémios não reclamados podem incluir valores significativos, incluindo prémios de grande dimensão. Segundo a SCML, entre os maiores prémios caducados na década, destacam-se cinco prémios de um milhão de euros cada (antes de impostos), ligados a jogos como o Euromilhões e o concurso “Chuva de Milionários”.

Este fenómeno convive com um aumento global das vendas dos jogos sociais, que em 2025 atingiram cerca de 3,1 mil milhões de euros. A “raspadinha” continua a ser o principal motor de receita, seguida pelo Euromilhões, embora alguns jogos como o Placard e o Totoloto tenham registado ligeiras quebras nas vendas.

Em termos legais, o dinheiro dos prémios caducados não fica perdido no sistema de jogo, mas sim integrado nas receitas da Santa Casa, sendo depois canalizado para fins sociais, conforme o modelo de distribuição dos jogos sociais em Portugal.

Apesar do montante elevado, a SCML sublinha que também existem casos em que a instituição enfrenta dificuldades em cobrar valores devidos por mediadores de jogo, o que é contabilizado separadamente como dívidas de cobrança duvidosa.

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