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O simples gesto de desembrulhar uma sandes ou uma fatia de pizza na praia está a dividir opiniões em Itália. A discussão reacendeu-se depois de uma mulher ter sido advertida numa praia privada da região da Puglia por ter levado de casa sandes para si e para os dois filhos, um caso que rapidamente ganhou destaque e voltou a colocar em causa as regras impostas por alguns concessionários.
Segundo relata o The Guardian, tudo aconteceu em Vieste, na península do Gargano. Apesar de já ter pago o aluguer dos chapéus de sol e espreguiçadeiras, a mulher, identificada como Rosaria, decidiu esconder as sandes no fundo do saco para evitar problemas. Quando chegou a hora de almoço, pediu a um dos filhos que fosse comer junto ao mar, longe da vista dos funcionários. No entanto, a criança acabou por ser apanhada e a família foi informada de que aquele estabelecimento não permitia refeições trazidas do exterior.
Embora não exista uma regra nacional que proíba os clientes das praias concessionadas de levarem comida ou bebida de casa, alguns concessionários estabelecem regulamentos próprios, como aconteceu neste caso.
O jornalista Luca Pernice, do Corriere della Sera, que presenciou a situação, explicou que esta prática é frequente entre os banhistas. Segundo afirmou, muitas pessoas procuram evitar os custos diários dos restaurantes das praias e, por isso, levam discretamente refeições preparadas em casa.
A divulgação da história desencadeou uma intensa discussão pública. Nicola Ragno, presidente da delegação local da Assoturismo, associação que representa concessionários balneares, defendeu que estas situações prejudicam a imagem das praias privadas.
Segundo Ragno, o problema não se limita a pequenas refeições, alegando que muitos clientes levam autênticos almoços completos, incluindo massas, pratos principais, fruta, sobremesas e bebidas. Na sua perspetiva, isso cria dificuldades ao nível da higiene, da gestão de resíduos e da organização dos espaços, além de complicar os serviços disponibilizados pelos concessionários.
Também Antonio Decaro, presidente da região da Puglia, interveio no debate através de uma publicação nas redes sociais. Recordando quais são as regras em vigor, afirmou que ninguém pode impedir uma pessoa de consumir na praia alimentos levados de casa e considerou que os preços cobrados pelo aluguer de chapéus de sol e espreguiçadeiras já são demasiado elevados.
De acordo com a associação de consumidores Altroconsumo, o custo médio para alugar duas espreguiçadeiras e um chapéu de sol aumentou 6% face a 2025, havendo locais onde a subida chega aos 16%.
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