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A Rússia acusou o Reino Unido de estar a aumentar deliberadamente a tensão no conflito na Ucrânia, depois de uma fonte militar ter confirmado à BBC que drones de fabrico britânico foram utilizados em ataques recentes contra instalações militares e industriais russas.

“Londres está deliberadamente a optar por uma escalada da crise ucraniana”, afirmou a embaixada russa no Reino Unido, num comunicado divulgado após a confirmação do envolvimento dos drones britânicos.

A representação diplomática russa deixou ainda um aviso a Londres, afirmando que as ações britânicas terão “inevitavelmente consequências” pelas quais o Reino Unido terá de responder. “Quanto maior for o seu envolvimento no conflito, maior será o preço que terá de pagar”, acrescentou.

O Ministério da Defesa britânico já reagiu: “A Rússia não deve ter qualquer dúvida sobre a determinação deste governo em enfrentar a agressão russa, na Ucrânia e contra o Reino Unido e os nossos aliados”, afirmou um porta-voz do Ministério da Defesa.

A Ucrânia tem intensificado os ataques de drones contra alvos situados no interior da Rússia, incluindo na região de Moscovo. Entre os principais objetivos estão refinarias de petróleo e infraestruturas logísticas da Wildberries, uma das maiores plataformas de comércio eletrónico russas.

Só nos últimos dois dias, as forças ucranianas terão lançado centenas de drones contra a região de Moscovo. O governador regional, Andrey Vorobyov, afirmou esta terça-feira que uma menina de 10 anos ficou ferida e que um armazém da Wildberries foi danificado.

Os ataques têm provocado também efeitos sobre o abastecimento interno de combustíveis da Rússia e contribuído para aumentar a pressão sobre a economia do país.

Além de equipamento fornecido pelos aliados, a Ucrânia tem recorrido cada vez mais a tecnologia desenvolvida internamente, incluindo drones e sistemas de mísseis, como o míssil de cruzeiro FP-5 Flamingo.

O Reino Unido tem sido um dos principais aliados internacionais da Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022. Londres forneceu a Kiev diferentes sistemas militares, incluindo tecnologia para drones e mísseis Storm Shadow.

São conhecidas pelo menos duas empresas britânicas que fabricaram drones fornecidos à Ucrânia. Uma fonte militar confirmou à BBC que estes equipamentos foram utilizados nos recentes ataques contra território russo, que, segundo estimativas citadas pela estação britânica, terão provocado mais de 35 mil milhões de libras em prejuízos económicos.

O Ministério da Defesa britânico reafirmou que continuará a fornecer à Ucrânia o equipamento necessário para se defender da invasão ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin.

Moscovo já tinha anteriormente ameaçado o Reino Unido devido ao fornecimento de tecnologia militar à Ucrânia. Em 2024, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, afirmou que drones com componentes e configurações britânicas tinham sido utilizados em ataques contra território russo, incluindo contra um depósito de combustível na região de Rostov.

Apesar das acusações, a embaixada russa em Londres não especificou quais poderão ser as consequências a que alude no mais recente comunicado.

No início deste mês, as forças russas afirmaram ter intercetado e abatido um drone de reconhecimento Tekever AR3, de fabrico português, na região fronteiriça de Bryansk. Depois de ser contactada pelo 24notícias, a empresa tecnológica portuguesa Tekever recusou comentar missões específicas dos seus clientes ou confirmar informações operacionais divulgadas por terceiros.

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A guerra continua a ter igualmente um elevado custo humano na Ucrânia. Pelo menos 17 pessoas morreram em ataques russos, incluindo dez numa localidade do nordeste do país.

Desde a invasão em larga escala iniciada em fevereiro de 2022, a Rússia passou a controlar cerca de um quinto do território ucraniano.

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