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O chumbo da proposta do Governo para a revisão da legislação laboral provocou reações distintas entre os partidos com assento parlamentar. Rui Tavares, do Livre, criticou a posição do Chega, comparando o partido a um “escorpião” que promete ajudar, mas acaba por “ferrar” quem lhe dá apoio. Já o Chega rejeitou ser uma força de apoio à Aliança Democrática (AD), enquanto o PS considerou a rejeição do diploma “um bom dia para o país”.

Durante a sua declaração de voto, Rui Tavares afirmou que o episódio em torno da reforma laboral lembrava “a história do escorpião que promete dar boleia a alguém, mas que acaba a ferrar a pessoa no final”.

O deputado do Livre referia-se ao comportamento do Chega durante o processo, lembrando que o partido tinha anteriormente apresentado como uma conquista a possibilidade de aumentar os dias de férias dos trabalhadores.

“Os escorpiões andam aos ziguezagues”, afirmou Rui Tavares, numa crítica à estratégia política do partido liderado por André Ventura.

Também Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, deixou críticas à bancada do Chega.

“À 25.ª hora, o Dr. André Ventura quis colocar em causa a sustentabilidade da Segurança Social”, disse Hugo Soares, garantido que o PSD levou as negociações a sério na concertação social e no Parlamento.

O social-democrata acusa o partido de Ventura de votar contra a versão da reforma laboral que “ainda ontem proclamava” e garante que o Chega cedeu “ao ruído e à pressão nas redes sociais”.

Do lado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo afirma que Ventura “deu a cambalhota do século”. O bloquista considera que a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, está “reduzida à sua arrogância” e que deve “repensar o lugar no Governo”.

Para Fabian Figueiredo, o chumbo da reforma laboral é “um sinal positivo”.

A primeira reação do Chega surgiu através do deputado Pedro Frazão, que garantiu que o partido “não cede, não se encosta e não serve de muleta a ninguém”, numa referência direta ao PSD e à AD.

“Quando as propostas não defendem os portugueses ou vão contra aquilo em que acreditamos, o voto é claro: chumbo”, afirmou o deputado numa publicação na rede social X, defendendo que a política não deve ser feita através de “jogos de bastidores” ou “trocas de favores”.

Mais tarde, o líder do partido rejeitou as críticas e garantiu que mantém uma posição independente. O presidente do partido, André Ventura, afirmou numa publicação na mesma rede social que o Chega “não se vende nem verga” e voltou a negar que o partido funcione como “muleta” de outros partidos.

Do lado socialista, Eurico Brilhante Dias classificou o chumbo da reforma laboral como “um bom dia para o país”, considerando que a proposta apresentada pelo Governo representava uma ameaça aos direitos dos trabalhadores.

“Hoje os portugueses vão agradecer aos que mantiveram as suas convicções na defesa do trabalho”, afirmou o deputado do PS, deixando também elogios aos sindicatos pela mobilização contra o diploma.

O PCP fala numa “grande vitória” para os trabalhadores. “Dissemos que era a força dos trabalhadores que iria determinar este processo e foi o que aconteceu”, afirmou Paulo Raimundo, que considera que se abre uma oportunidade para “aumentar salários e combater a precariedade”.

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