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De acordo com testes laboratoriais realizados nos Países Baixos — principal centro europeu de importação de flores — as rosas apresentaram os níveis mais elevados de resíduos de toxinas neurológicas e reprodutivas quando comparadas com outras variedades, diz o The Guardian.

As rosas vermelhas destacaram-se negativamente: um dos ramos analisados continha vestígios de 26 pesticidas diferentes, metade dos quais proibidos na União Europeia.

Entre as substâncias identificadas encontram-se a clofentezina, associada a perturbações da tiroide; o carbendazime, considerado potencialmente cancerígeno para humanos; e o clorfenapir, que em doses elevadas pode provocar paragem cardíaca. Todas estas substâncias estão atualmente proibidas na União Europeia.

O Dia dos Namorados representa o período mais movimentado do ano para a indústria. Estimativas de analistas indicam que cerca de 200 milhões de rosas são produzidas para satisfazer a procura europeia de 14 de fevereiro. Mais de metade das flores vendidas no Reino Unido têm origem nos Países Baixos, embora esse seja frequentemente apenas o ponto final de uma cadeia que começa em explorações agrícolas na Colômbia, no Quénia ou na Etiópia. Nestes países, o clima permite produção ao longo de todo o ano e os regimes regulamentares são menos exigentes, possibilitando o uso de pesticidas mais potentes.

Para avaliar os níveis de resíduos presentes nas flores disponíveis no mercado, a organização Pesticide Action Network Netherlands (Pan-NL) analisou aleatoriamente 17 ramos: cinco de rosas, oito mistos e quatro de túlipas. Nenhum dos ramos estava isento de pesticidas, mas as rosas e os arranjos mistos apresentaram as concentrações mais elevadas.

A maior concentração foi detetada num ramo de rosas vermelhas adquirido num centro de jardinagem neerlandês, com 65,8 mg/kg de resíduos. Dos 26 pesticidas identificados nessa amostra, 13 estão proibidos na União Europeia. No total, a análise revelou 87 pesticidas diferentes, incluindo oito metabolitos, distribuídos de forma semelhante entre inseticidas e fungicidas.

Das 79 substâncias ativas encontradas, quase um terço está proibido como produto fitofarmacêutico na União Europeia e nos Países Baixos. Além disso, 78% representam um risco significativo para a saúde humana e/ou para o ambiente, segundo a Pan-NL. Entre os compostos identificados contam-se neurotoxinas, toxinas reprodutivas, agentes cancerígenos e desreguladores endócrinos.

Para quem receba um ramo contaminado, a orientação é não colocar os restos no compostor ou no contentor de resíduos orgânicos, mas sim no lixo indiferenciado, de modo a evitar que as toxinas regressem ao meio natural.

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