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Reza Pahlavi, de 65 anos, é o filho mais velho do último xá do Irão, deposto pela Revolução Islâmica de 1979. Desde então, vive no exílio, principalmente nos Estados Unidos, e não pisa solo iraniano há quase cinco décadas. Apesar disso, posiciona-se como uma figura central na oposição ao regime islâmico, afirmando estar “pronto para liderar a transição política” no país.
Pahlavi tem ganhado destaque sempre que o regime iraniano enfrenta crises ou parece próximo do colapso, aponta o Le Monde. Em janeiro, os protestos no Irão, reprimidos com violência pelas forças de segurança e que deixaram milhares de mortos, contribuíram para aumentar a sua visibilidade internacional.
Num artigo de opinião publicado este sábado no The Washington Post, citado pelo ECO, Reza Pahlavi abordou a transição política no Irão, após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de outros altos responsáveis do regime. O príncipe defende que o processo deve ser transparente, propondo a redação de uma nova Constituição, a sua ratificação por referendo e a realização de eleições livres sob supervisão internacional. Depois da votação, o governo de transição seria dissolvido, garantindo que o poder retorna às mãos do povo.
O príncipe elogia ainda a política norte-americana em relação ao Irão desde o primeiro mandato de Donald Trump, incluindo a retirada do acordo nuclear de 2015, a campanha de sanções e a eliminação do comandante da Força Quds, Qasem Soleimani, em 2020. Apesar disso, sublinha que “a vitória final será forjada pelo povo iraniano. São os soldados no terreno”.
O projeto de um Irão democrático e estável
Pahlavi defende que o “renascimento” do Irão marcará o início de uma era de paz e prosperidade e insiste que “o Irão não é o Iraque”: não haverá dissolução das instituições, vazio de poder nem caos. Para tal, lançou o chamado “Projeto de Prosperidade do Irão”, um plano político e económico nacional para instaurar um governo provisório após a queda do regime, incluindo um roteiro detalhado para os primeiros 100 dias e a reconstrução a longo prazo, contando com apoio de líderes empresariais internacionais.
O príncipe acredita que um Irão democrático transformaria o Médio Oriente, convertendo uma das regiões mais instáveis do mundo num pilar de estabilidade. Além disso, elogia os acordos de Abraham, promovidos por Trump, e defende que um Irão livre reconheceria Israel e contribuiria para um quadro de paz regional mais amplo.
Desafios e legitimidade
Apesar do perfil internacional, a sua legitimidade é contestada dentro da oposição iraniana, escreve o The Guardian. Alguns criticam o facto de Pahlavi nunca ter vivido no Irão desde 1979 e o seu apoio declarado a Israel, assim como o legado autocrático do pai. Outros observadores questionam o seu nível de apoio popular real, ainda que o seu nome tenha sido entoado em alguns protestos recentes.
Mesmo assim, a queda do regime após a morte de Ali Khamenei abriu uma janela de oportunidade que Pahlavi procura aproveitar, propondo-se como líder capaz de conduzir o Irão para uma transição democrática, estável e integrada na comunidade internacional.
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